Apesar de bloqueio de verbas, Unirio afirma que mantém funcionamento até o fim do ano
“Mesmo se o bloqueio permanecer, a universidade tem capacidade de manter seu funcionamento pleno até o final do exercício”, afirmou Thiago da Silva Lima, pró-reitor de Administração (Proad), durante a sessão do Conselho Universitário (Consuni) do dia 16 de agosto. A afirmação responde a uma preocupação da comunidade universitária da Unirio diante dos cortes de verbas sofridos nos últimos anos e dos contingenciamentos orçamentários que levaram algumas federais a anunciarem que poderão fechar as portas antes do fim do ano.
A declaração da reitoria sobre a garantia de funcionamento da Unirio contrasta, porém, com o que consta no QDD 2022 aprovado, no qual se vê que a programação para limpeza, conservação, vigilância, água, luz e gás estão previstas apenas até o nono mês do ano. Nesse sentido, a reitoria empenha sua palavra no Consuni, mas não há demonstração no planejamento sobre a forma na distribuição dos recursos que irá garantir a complementação dos três meses não programados no documento apresentado. Além disso, o pró-reitor de Administração afirmou também prever que, se os valores ainda bloqueados não forem liberados, atividades previstas para 2022 deverão ser adiadas.
De acordo com o Diretor de Orçamento da Unirio, Jair Cláudio Araújo, houve em maio de 2022 um bloqueio por parte do governo federal de R$ 8 milhões dos cerca de R$ 47 milhões destinados inicialmente às despesas da Unirio, equivalendo a 14,5% do previsto. Em julho, R$ 4 milhões desse montante foram desbloqueados, mas não há certezas quanto ao restante.
A Unirio tem observado o encolhimento dos seus recursos disponíveis para despesas ao longo dos anos. Em 2016, quando se vê o início da série de cortes através do Quadros de Detalhamento de Despesas (QDD), eram estimados inicialmente R$ 74,5 milhões (valor corrigido pela inflação do período, conforme o IPCA) para gastos discricionários na Unirio. Atualmente este valor é de cerca de R$ 47 milhões, representando uma perda de cerca de 37% em seis anos (desconsiderando os bloqueios).
“Quando se fala de cortes no orçamento da universidade nós estamos falando de redução da capacidade da universidade funcionar, de perda de bolsas para estudantes, de evasão, de precarização das condições de trabalho, de perda de emprego para pessoas terceirizadas, uma série de coisas que impacta na qualidade do ensino e nas condições de vidas de pessoas reais”, afirma o professor Vinícius Israel, membro do GT Verbas e diretor da Adunirio. “A universidade brasileira está em perigo e precisamos exigir que seja garantida mais verba pra Educação”, completa.
Leia mais em:
Unirio carece de mecanismos participativos de gestão das emendas parlamentares ao orçamento
Há quase uma década Adunirio luta para se democratizar o orçamento da Unirio
Atraso na análise do orçamento prejudica gestão democrática da Unirio

