Seminário na Unirio discute consequências do modelo agrário no RJ e obstáculos para superá-lo
No dia 19 de setembro, a Adunirio, no âmbito do Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA) realizou o segundo debate “A questão ambiental e as resistências populares” com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O evento, realizado no auditório do CCET/IBIO da Unirio, reuniu professores, estudantes e movimentos populares interessados em debater o modelo agrário no Rio de Janeiro, seus efeitos e projetos de superação.
Nívea Regina da Silva, coordenadora do MST, abriu o debate com uma crítica ao modelo que tem intensificado a internacionalização da agricultura, da mineração e da exploração da água, marcado pela espoliação do bem comum nos países da periferia do capitalismo. Uma das principais consequências dessa forma de produção tem sido os grandes impactos nos biomas, com destaque para as recorrentes catástrofes ambientais, e na vida das populações humanas, exterminadas ou controladas pelos grandes conglomerados empresariais.

A coordenadora no MST explicou que 94% da soja, do milho e do algodão produzidos no país são transgênicos. Ocupamos o segundo lugar no ranking mundial da transgenia e 1º no consumo de agrotóxicos. Esse quadro assustador é acompanhado de uma intensa ofensiva “em favor de mudanças no marco legal, que buscam garantir a intensificação produtiva, marcada pela liberação de produtos cancerígenos e pela sonegação de informações para a população sobre os processos produtivos que utilizam transgênicos e agrotóxicos”, afirmou.
Leonardo Maggi, coordenador do MAB, identifica nesse movimento de“remoção de barreiras legais e políticas” apontado pela coordenadora do MST a tentativa de retomada das taxas de lucro pelas empresas capitalistas que perderam parte significativa de suas fontes de enriquecimento após a crise iniciada em 2008. Para ele, o fato de sermos um país com abundância de bens escassos no resto do mundo “coloca as riquezas do nosso país no foco das tentativas de maximização da apropriação da base natural”.
De acordo com Maggi, é possível produzir mais e melhor se contrapondo às práticas utilizadas pelo agronegócio, no qual predomina a monocultura, a dependência de agrotóxicos e de alta mecanização, a concentração de terras produtivas, a exploração do trabalhador rural e o consumo de produtos não-locais. A mudança no modelo, porém, encontra um limite ideológico, para o qual a construção de frentes e o diálogo dos movimentos populares com a universidade pode ajudar a superar. “O principal obstáculo para a transição agroecológica não está no campo da tecnologia, mas sim no da ideologia”, afirmou Maggi.

Apesar dos ataques do capital internacional representados pelo agronegócio, as organizações populares resistem e no próximo dia 3 de outubro devem realizar um grande ato em defesa da soberania nacional. O Rio de Janeiro será um palco privilegiado dessa mobilização, por sediar a Petrobras e Eletrobras. Além disso, a capital fluminense sediará o 8º Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) entre os dias 2 e 5 de outubro, evento que pretende reunir milhares de pessoas de todo o país e que tem sido precedido por diversas atividades em parceria com universidades e organizações sociais.
Confira:
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