Nota de repúdio dos professores da Unirio contra violência policial na UFSC
A Assembleia Geral dos Professores da Unirio realizada no dia 27 (quinta) decidiu por lançar uma nota de repúdio à violência policial ocorrida no campus da UFSC na última terça.
Nota de repúdio dos professores da Unirio
Nós professores da Unirio, reunidos em assembleia no dia 27 de março, resolvemos expressar o nosso repúdio aos atos de violência da Polícia Federal e da Polícia Militar dirigidos contra estudantes, professores e técnicos da Universidade Federal de Santa Catarina na última terça-feira (25).
Após alguns agentes não identificados revistarem arbitrariamente os alunos da universidade, detiveram um estudante de geografia, alegando que este portaria alguns cigarros de maconha. Diante da resistência à prisão e às tentativas de diálogo, que pessoas sensibilizadas frente ao abuso da situação tentaram promover, a ordem da polícia foi o uso descabido e generalizado da violência para levar o estudante.
O Batalhão de Choque foi acionado e foram lançadas bombas de gás e spray de pimenta, além do uso de cassetetes, contra as pessoas que buscavam dialogar ou se manifestavam contra o ato arbitrário. Durante a ação, os agentes danificaram também o patrimônio da instituição, ao golpearem uma camionete de uso administrativo. O ato da polícia, além de extremamente violento e descabido, fere o Artigo 207 da Constituição que salvaguarda a autonomia das universidades.
Consideramos um absurdo o uso da violência, a arbitrariedade e o desrespeito à autonomia universitária por parte do Estado em uma operação que envolve um tema tão controverso e polêmico na nossa sociedade. Preocupa-nos o nítido aumento da repressão policial em várias situações cotidianas, em detrimento da promoção de canais de diálogo e de participação democrática na solução das questões que desafiam a nossa sociedade. Prestamos nossa solidariedade à comunidade acadêmica da UFSC e seguimos reafirmando a importância da garantia da autonomia universitária, do fortalecimento de uma cultura democrática e do direito à liberdade de ir e vir.
