Nota da direção da Adunirio sobre a condenação de Lula
A diretoria da ADUNIRIO vem se manifestar sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada no dia 24 de janeiro no TRF-4 de Porto Alegre (RS). Primeiramente, cabe ressaltar que a direção entende que o sindicato deve se manter autônomo de partidos políticos e, portanto, não apoiar nenhum/a candidato/a no pleito eleitoral de 2018. Com isso dito, manifestamos nosso repúdio à celeridade seletiva do poder judiciário, que fere os princípios democráticos que defendemos. O poder judiciário correu em tempo recorde para realizar o julgamento do ex-presidente em uma clara tentativa, articulada com a burguesia brasileira, os grandes meios de comunicação, a Polícia Federal e outros setores subordinados aos interesses do capital, de inviabilizar a candidatura de Lula para as eleições presidenciais de 2018, enquanto nega a investigação de políticos de partidos burgueses, incluindo o próprio Temer. Cabe ressaltar também que essa celeridade seletiva não acontece somente em casos envolvendo representantes de partidos políticos, mas sobretudo com a classe trabalhadora e a população negra, como vimos, por exemplo, com as condenações de Rafael Braga. A celeridade é um princípio necessário à justiça, mas não pode ser aplicada seletiva e antidemocraticamente.
Atrás da rapidez no julgamento e condenação de Lula, é patente que o que está em jogo é o processo de disputa eleitoral em 2018. Como afirmou o ANDES-SN em nota publicada em 19 de janeiro, “A condenação de Lula, seletiva e com fins eleitorais […], é mais um ataque às poucas liberdades democráticas conquistadas e pode servir para o aprofundamento da criminalização das lutas sociais. Posicionar-se contra a seletividade da justiça que, neste caso, pode inviabilizar a candidatura de Lula, reafirma a histórica postura do nosso Sindicato em defesa da democracia”.
Na defesa da democracia, precisamos combater a celeridade seletiva do poder judiciário e avançar na luta para derrotar e revogar as contrarreformas, particularmente a da previdência. Reafirmamos a necessidade de ampliar a mobilização dos/as trabalhadores/as e de uma nova greve geral no primeiro semestre de 2018.
