Decanos(as) manifestam suas impressões sobre o andamento do debate do Future-se na Unirio
No dia 28 de julho, reitores(as) de todas Instituições Federais de Ensino Superior do Rio de Janeiro lançaram uma nota conjunta criticando o projeto apresentado pelo Ministro da Educação, Abraham Weintraub. No documento, afirmam que “O Future-se pegou de surpresa todos os reitores das Instituições Federais de Ensino Superior”. Diante disso, e após as preocupações manifestadas na última assembleia docente, a Adunirio entrou em contato com as decanias da Unirio para fazer um levantamento sobre o andamento das discussões na nossa universidade.
Os(as) quatro* decanos(as) que retornaram a nossa consulta indicaram que têm percebido “mais reações contrárias” e tendência à “resistência” ao Future-se, ainda que compreendam que não é um consenso e que afirmem ser preciso realizar uma discussão ampla para que se possa ter uma verdadeira dimensão dessa posição.
O decano do Centro de Ciência Exatas e Tecnologia (CCET), professor Sidney Cunha, considera que “a discussão [do Future-se] não vem se restringindo apenas em se ter uma posição a favor ou contra, mas em apontar quais pontos representam uma ameaça à autonomia universitária e à relação intrínseca entre ensino, pesquisa e extensão”. Para o decano do Centro de Ciências Humanas (CCH), Leonardo Castro, “não haverá 100% de rejeição na Unirio, mas precisamos encarar o debate, pois é um projeto que erra no princípio, no método e nas formulações”.
Na Decania do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP), a professora Edna Hogemann identifica que “as discussões estão começando a ser feitas” por parte da reitoria. A decana do Centro de Letras e Artes (CLA), Carole Gubernikoff, diz estar preocupada com a postura que a reitoria vem demonstrando em relação ao Future-se, “nitidamente reforçando ideias privatistas e individualistas que constam no projeto e se antecipando na busca de entregar a autonomia da universidade para organizações sociais”.
Todos(as) os(as) entrevistados(as) afirmaram ter iniciado, estarem articulando ou pretenderem realizar debates sobre o Future-se nos seus conselhos, embora não exista ainda um cronograma definido.
*A decania do CCBS não nos deu retorno até o encerramento desta matéria.
Cresce o número de instituições que rejeitam o Future-se
A rejeição ao projeto Future-se tem ficado evidente com o crescimento do número de universidades que reprovaram a proposta em seus conselhos universitários. No dia 4 de setembro foi a vez da Universidade Federal Fluminense (UFF) dizer um “não!” à iniciativa do governo Bolsonaro, juntando-se assim à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), à Universidade Federal do Paraná (UFPR), à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), à Universidade Federal do Rio Grande (FURG), à Universidade Federal de Roraima (UFRR), à Universidade Federal do Ceará (UFC), à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), à Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), à Universidade Federal do Amazonas (UFAM), à Universidade Federal do Amapá (Unifap) e à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Enquanto outras instituições seguem debatendo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, ameaça empurrar o Future-se nas universidades por meio de uma Medida Provisória, descartando a ideia inicial de simular um processo de consulta às instituições.


