Segundo debate sobre Ebserh e Universidade pública na Unirio destaca precarização do trabalho
A Unirio teve o seu segundo debate da série “Ebserh e Universidade Pública”, que abordou as questões relativas às condições e relações de trabalho nos hospitais universitários. Apesar da riqueza da discussão, que tratou de uma variedade grande de questões, a reitoria da universidade novamente se eximiu de participar do diálogo, não indicando o representante que iria defender o seu ponto de vista, o do Ministério da Educação (MEC) e o da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
No debate anterior, como já havíamos noticiado, a reitoria também ignorou o convite feito para indicar um representante que pudesse defender seu ponto de vista. Vale lembrar que a administração da universidade organizou uma sessão do Conselho Universitário em forma de palestra composta apenas por defensores da Ebserh e que o movimento docente, estudantil e de técnicos da Unirio não deixou de estar presente, indo lá fazer o debate necessário para que se tenha uma decisão democrática sobre os rumos do nosso hospital universitário.
Fátima Siliansky , professora de saúde coletiva da UFRJ, situou a Ebserh no contexto das reformas da saúde impostas conforme as diretrizes do Banco Mundial e falou do assédio que funcionários dos hospitais universitários que não desejam aderir à empresa vêm sofrendo. Além disso, apontou o desabastecimento de medicamentos que os HU’s que aderiram à essa instituição vêm sofrendo. “Os hospitais universitários possuem uma série de deficiências, as quais conhecemos, e precisam ser aperfeiçoados, mas não é a adesão a esse contrato que vai resolver e ainda garantir a indissociabilidade do tripé ensino, pesquisa e extensão”, afirmou.
O diretor da Fasubra, Pedro Rosa, relembrou a campanha difamatória que os servidores públicos sofreram ao longo dos sucessivos governos, em que ficaram marcados os rótulos de “marajás” de Fernando Collor e de “vagabundos” de FHC. Destacou, porém, a resistência ao longo dessa história, atualizada na luta contra a Ebserh, afirmando que, embora 20 instituições já tenham assinado contrato com a empresa, em nenhum lugar ela conseguiu de fato assumir o controle das unidades hospitalares. “A saúde é o calcanhar de Aquiles da política de reformas privatistas”, defende.
Márcio Amaral, vice-diretor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB), considera que a Ebserh tem sido “edificada sobre a humilhação”, conforme um processo longo e lento em que se roubou muito da energia das pessoas para resistir. Segundo ele, porém, há um outro lado também a ser considerado: “com a ameaça de aderirmos a Ebserh me dei conta da importância da luta pela autonomia universitária”, afirma.
