Manifestantes relembram Massacre da Praia Vermelha e reivindicam mudança em praça que homenageia irmão de ditador
A comunidade acadêmica da Unirio promoveu nesta sexta-feira, 12 de abril, um ato em “descomemoração” aos 60 anos do golpe militar no Brasil e em memória dos estudantes espancados pela ditadura no episódio conhecido como “Massacre da Praia Vermelha”. Os manifestantes reivindicam a troca do nome da praça localizada na entrada da universidade para “Praça Autonomia Universitária”. Atualmente, o logradouro homenageia Guilherme Figueiredo, primeiro reitor da Unirio e irmão do último ditador do país, general João Baptista Figueiredo.
A manifestação foi realizada na praça que em setembro de 1966 ladeava o antigo prédio da Faculdade de Medicina da UFRJ, local invadido pelas forças de repressão da ditadura após uma manifestação com mais de 600 estudantes. O episódio foi marcado pela extrema violência contra o movimento estudantil, que foi encurralado e espancado pela polícia.

O gesto dos manifestantes desta sexta-feira repete a homenagem que os estudantes daquele ano fizeram às vítimas um mês depois do episódio, nomeando a “Praça Autonomia Universitária”. A vereadora Luciana Boiteux (PSOL), atendendo à reivindicação da comunidade acadêmica da Unirio, apresentou na quinta-feira, 11, o Projeto de Lei nº 3019 para que a mudança do nome da praça seja efetivada.
Comandaram o ato as entidades que representam os três setores da universidade, a Adunirio, a Asunirio e o DCE, junto com a reitoria da Unirio. Marcaram presença também organizações que militam nesta área como o Tortura Nunca Mais e o Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça, além de parlamentares do PSOL, PT e PCdoB.

Diplomação de estudantes assassinados no Araguaia
A manifestação foi precedida pela cerimônia solene de colação de grau póstuma de três estudantes da Escola de Medicina e Cirurgia (que em 1979 passou a integrar a Unirio), que foram torturados e assassinados pela ditadura no Araguaia na década de 70. A diplomação de Elmo Correa (1946-1974), Luíz Renê Silveira e Silva (1951-1974) e Lúcia Maria de Souza (1944-1973) foi aprovada pelos Conselhos Superiores da Unirio, em sessão realizada no dia 27 de março. Na ocasião, foi também aprovada a criação de uma Comissão da Verdade na instituição.
A diplomação foi conduzida pela reitoria da Unirio e contou com homenagens das entidades representativas de docentes, de estudantes e de técnicos, além da participação de militantes da luta por Memória, Verdade e Justiça. Os diplomas foram entregues aos familiares dos estudantes.





Para mais informações sobre o histórico da praça e do Massacre da Praia Vermelha leia: https://adunirio.org.br/noticias/60-anos-depois-praca-da-unirio-pode-ser-transformada-para-recuperar-memorias-da-resistencia-a-ditadura/

