Reitor diz que não vai tomar decisão ad referendum sobre regulamentação de laboratórios e núcleos
Criticando as ausências na sessão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) marcada para o dia 11 de abril (segunda-feira), o reitor afirmou que seguiria com a “tradição” de tomar as decisões que considerasse importante por ad referendum caso não obtivesse quórum nas reuniões. Após a declaração, porém, a conselheira Édira Gonçalves explicou que na Escola de Nutrição havia sido feito um debate que apontava uma série de problemas na minuta formulada pela reitoria. Representando seu departamento, apelou para que a reitoria não decidisse sobre a matéria por meio de ad referendum e que abrisse a discussão mesmo sem o quórum para aproveitar a presença de alguns conselheiros e avançar na elaboração da proposta.
Jutuca afirmou, então, que atenderia ao pedido e abriria naquele momento a discussão “informal” (sem caráter deliberativo) solicitada e que não decidiria por ad referendum uma questão tão importante como essa da política para laboratórios e núcleos. Em seguida, diante da ausência do quórum, suspendeu a sessão e se retirou.
A reunião ordinária do órgão foi suspensa com 34 conselheiros presentes (40 são necessários para obter o quórum) e tinha como ponto de pauta a minuta que trata da criação e acompanhamento de laboratórios e núcleos, criticada por diversos setores da Unirio. Permaneceram na mesa as pró-reitoras de Planejamento, Pós-Graduação e Pesquisa e Extensão e Cultura, que conversaram com os conselheiros presentes.
Os conselheiros que se pronunciaram criticaram a minuta principalmente pelo excesso de centralização nas pró-reitorias das decisões sobre os laboratório e núcleos, além da ausência de um diagnóstico da atual situação para embasar a decisão do Consepe.
No Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCH) e no Centro de Letras e Artes (CLA) também já houve reuniões que apontaram uma série de problemas na minuta proposta pela reitoria. A Adunirio lançou nota na semana passada criticando a redação elaborada pela administração da Unirio e esteve presente na reunião do Consepe para defender modificações na minuta. Asunirio e outros departamentos também enviaram sugestões.
A Adunirio fez também recentemente um levantamento e registrou entre 2013 e 2015 mais de uma centena de resoluções da reitoria feitas ad referendum.
Tentativa de constrangimento
O reitor interrompeu sua fala na presidência do Consepe, realizado na segunda-feira, para se dirigir ao jornalista da Adunirio que registrava o evento. “Qual a necessidade de fotografar?”, inquiriu Jutuca, chamando a atenção de todos os presentes para o funcionário do sindicato docente que exercia sua função.
A atitude da reitoria teve por objetivo claro a intimidação, pois as sessões dos conselhos são públicas, gravadas, e o reitor conhece o jornalista, que já foi apresentado oficialmente pela Adunirio em sessão dos Conselhos Superiores e tem acompanhado os acontecimentos da Unirio há cerca de três anos, inclusive em reuniões da diretoria da Adunirio com o próprio Jutuca.
Além disso, vale destacar que o questionamento sobre o registro de imagem é seletivo, pois quando a reitoria montou sua campanha a favor da Ebserh no Consuni, a administração da universidade convidou e abriu as portas para que a emissora de TV Globo News registrasse tudo o que se passava na sessão do conselho.
A postura do reitor Jutuca diante do funcionário do sindicato docente expressa a dificuldade com a democracia que a atual administração da Unirio vem tendo e fica muito bem expressa em uma das falas da Pró-Reitoria de Graduação e Pesquisa que confunde o direito à diversidade de opiniões com o combate entre inimigos. “A sensação que eu tenho é que, na hora em que a gente senta do lado de cá da mesa, a gente passa a ser visto por quem está sentado do outro lado da mesa como um inimigo em potencial e isso é uma representação que surge a todo momento”, afirmou a pró-reitora Evelyn Goyannes.
