Reitor diz que deliberação sobre Ebserh está suspensa na UFRJ
Carlos Levi informa que Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares ainda não foi descartada como opção para gestão dos HUs, mas se compromete a não levar o tema ao Consuni enquanto estuda uma “solução autônoma”.
*por Elisa Monteiro
Reunião entre reitoria e movimentos ocorreu dia 3, na sala dos colegiados superiores Foto: Elisa Monteiro – 03/10/2013Depois de a comunidade universitária expressar sua majoritária posição contrária à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, no último Consuni (dia 26 de setembro), o reitor Carlos Levi chamou as entidades representativas da UFRJ para uma reunião, no último dia 3. Nesse encontro, o dirigente anunciou que, por ora, está suspensa uma definição sobre contratar ou não a Ebserh para gestão dos HUs da instituição. Isso não quer dizer, no entanto, que a administração abandonou a ideia da empresa: o dirigente afirmou que não irá “descartar nenhuma opção”, sem verificar a “viabilidade de uma solução autônoma”.
“solução autônoma” seria resultado de grupos de trabalho internos à universidade que teriam por objetivo a recuperação das condições de bom funcionamento das unidades de saúde da UFRJ: “A prioridade é garantir funcionamento dos hospitais com nossas próprias forças”.
Apesar das evidências que a Ebserh não é uma boa alternativa aos HUs, como relatado em preocupante depoimento de estudante de medicina da UnB (onde a empresa já atua na gestão) no último Consuni (conforme noticiado no edição anterior do Jornal da Adufrj) e, mais ainda, a sua incompatibilidade com o Complexo Hospitalar, o reitor admite, surpreendentemente, que a Ebserh “está no horizonte”: “Se (o quadro de dificuldades) for intransponível, considero legítimo levar em conta a Ebserh”, afirmou Carlos Levi. “A Ebserh continua no horizonte, embora hoje o horizonte não seja buscar a Ebserh”, completou, ainda, a pró-reitora de Gestão e Governança, Aracéli Cristina de Sousa.
A Adufrj-SSind, o Sintufrj, o DCE Mário Prata e a Associação de Pós-graduandos (APG) foram convidados a participar dos GTs. Eles teriam como tema “estrutura” e “pessoal”, sendo compostos por representações dos quatro segmentos e coordenados pelas pró-reitorias de Gestão e Governança (PR-6) e de Pessoal (PR-4), respectivamente. O prazo para finalização dos trabalhos seria 31 de dezembro. Segundo a administração central, seria a data limite estipulada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para substituição dos atuais extraquadros, um grande número de funcionários dos hospitais, sem vínculo empregatício regular e direitos trabalhistas mínimos.
O reitor avaliou o momento como “oportuno” e se disse otimista sobre a superação das dificuldades. Ele e o vice, Antônio Ledo, garantiram que o tema não volta à pauta do Conselho Universitário, antes da conclusão desse processo interno.
Debate delicado
As entidades Adufrj-SSind, APG, DCE e Sintufrj levaram, para a reunião com a reitoria, a proposta de imediato e permanente afastamento da Ebserh da UFRJ. Também propuseram a realização de um plebiscito para a comunidade se manifestar sobre o assunto.
O movimento docente questionou a indefinição em relação à empresa. Pela Adufrj-SSind, Luciana Boiteux destacou que a mobilização no último Conselho Universitário (dia 26 de setembro) “deixou claro que a comunidade universitária é majoritariamente contrária à Ebserh”. Para Boiteux, “uma posição ambígua da universidade” dificulta as ações de concordância comum, como a realização de concursos. “Ao não deixar claro o ‘não’, como fez a UFPR, se agravam as pressões do governo pela adesão”, ressaltou Boiteux. Os estudantes também criticaram a sinalização enviesada da universidade. “O que a universidade precisa fazer é deixar claro o que quer para o governo federal”, disse Gabriela Celestino, pelo DCE.
O argumento do limite em 31 de dezembro também foi alvo de críticas: “A responsabilidade é do governo e não da universidade. Já debatemos isso muitas vezes, esse tipo de ruído é o que não precisamos”, disse Boiteux. A administração respondeu que o prazo se trata de uma referência para os trabalhos.
Nelson Souza e Silva, da Faculdade de Medicina e diretor do Instituto do Coração, destacou o que a UFRJ “deve ser a única universidade do Brasil com projeto próprio de Complexo Hospitalar” e criticou o afastamento do hospital de ensino da universidade, via Ebserh. O presidente eleito da Adufrj-SSind, Cláudio Ribeiro, também reivindicou a perspectiva institucional do problema: “O plano diretor da UFRJ coloca a necessidade de acabar com a fragmentação acadêmica, espacial e administrativa. E a Ebserh necessariamente cria uma fragmentação – inclusive espacial, (com a sede) funcionando em Brasília. As universidades que assinaram estão enfrentando hoje problemas com o não funcionamento desta empresa, e terão mais graves problemas, se um dia essa empresa vier a funcionar”.
Próximo encontro
Um novo encontro para negociação foi agendado para quinta-feira seguinte, 10, também na sala dos Conselhos.
Plebiscito
O reitor Carlos Levi rechaçou a proposta de realização de uma consulta ampla à comunidade sobre a Ebserh. Em sua visão, ela seria “antagônica aos esforços para encontrar uma maneira concreta realista de encontrar soluções para pelo menos quatro dos hospitais (da UFRJ) em situação mais preocupante”.
Fonte: Adufrj
