Regional do Andes-SN reúne docentes do Rio de Janeiro para discutir a luta por Memória, Justiça e Reparação de vítimas da ditadura

A Regional Rio de Janeiro do Andes-SN promoveu nesta quarta-feira, 30 de abril, um encontro “Por Memória, Justiça e Reparação no Campo e na Cidade: Lutar Não é Crime!”. O evento reuniu docentes das instituições de ensino do estado do Rio de Janeiro, que discutiram experiências, estratégias e metodologias para abordar o tema.
Na mesa de abertura, o professor Cláudio Ribeiro, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos coordenadores da Comissão da Verdade do Andes-SN, debateu os desafios do funcionamento desta comissão e do Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD). Relatou o esforço que vem sendo feito para unificar uma metodologia de trabalho, assim como um sistema de registro, catalogação e arquivamento das comissões da Verdade das seções sindicais do Andes. Defendeu ainda a importância de vê-las funcionando de forma complementar ao trabalho das comissões da Verdade das instituições de ensino. Destacou também ser importante lembrar que nesta mesma semana, no dia 28 de abril, completamos 55 anos do primeiro grande expurgo docente promovido pela ditadura empresarial militar.
Ribeiro mencionou a importância de se desenvolver ações focadas na espacialização da memória e destacou a falta de informação sobre locais de funcionamento das “assessorias de segurança e informação” nas universidades, órgãos de vigilância fundamentais ao funcionamento do aparelho repressivo. Lembrou em sua fala da iniciativa do movimento em defesa da Memória, Verdade, Justiça e Reparação na Unirio, do qual participa a Adunirio e o GT de Espaços Livres, que resgata nas ruínas escavadas do edifício a história do Massacre da Praia Vermelha na Escola de Medicina da UFRJ.
Participou também da mesa, a professora Leonilde Medeiros, docente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que apresentou um debate sobre a permanência da violência no campo, o papel da ditadura na sua implementação e a luta pela memória de uma esfera da sociedade que é relegada ao silenciamento. A docente lembrou que além da violência em relação a grupos de esquerda organizados nas regiões rurais, a ditadura e os governos posteriores sempre reprimiram os habitantes do campo, especialmente para roubar-lhes as terras onde vivem.
Medeiros explicou que, no norte do país, temos a predominância de situações em que empresas do setor urbano (grandes marcas) receberam concessões de terra e crédito para transformar grandes regiões em pastagem, sendo estas consideradas vazias apesar de ocupadas por populações caiçaras e indígenas. Em lugares como o Rio de Janeiro, por exemplo, essa espoliação foi feita especialmente em benefício do capital voltado para o turismo predatório ou para a implementação de grandes obras como a Rodovia Rio-Santos (BR-101).
De acordo com a professora Medeiros, a investigação pelos vestígios dessas lutas e repressões no campo é dificultada por condições específicas de marginalização dessas populações sob o capitalismo, que tornam os registros difusos e fundamentados na maioria das vezes nos relatos orais. Foram destacados três caminhos importantes utilizados para a investigação da situação dos camponeses sobre a ditadura: 1) os registros feitos pela federação de trabalhadores rurais e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no período, 2) o projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, que reúne um grande volume de documentos digitalizados e de acesso aberto e 3) os testemunhos de camponeses.
O evento da Regional do Andes-SN foi realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.

Relatos e debates da Comissão da Verdade do Andes-SN: https://www.andes.org.br/img/midias/003cda8c5e55815dacf1e9990a1a644e_1549987870.pdf
Alguns desses casos você encontra aqui: https://www4.pucsp.br/comissaodaverdade/comunidade-academica-acolhimento-de-professores.html


