Professor da Unirio lança livro sobre racismo, escravidão e capitalismo no 41º Congresso do Andes-SN

O professor da Unirio Wagner Miquéias Damasceno lançou o livro “Racismo, escravidão e capitalismo no Brasil: uma abordagem marxista”, durante o 41º Congresso do Andes-SN, em Rio Branco (AC). A publicação é fruto da sua pesquisa de doutorado na Unicamp, sob orientação do professor Ricardo Antunes. A atividade ocupou um dos auditórios da Universidade Federal do Acre (UFAC), onde é realizado o evento do sindicato nacional docente.
Damasceno destacou que em “O Capital” Karl Marx indica como a escravização negra funcionou como “alavanca do desenvolvimento do capitalismo”, sendo esta uma ideia que tem raízes em texto clássico do marxismo e que precisa, porém, ser aprofundada. Entre os pontos de interesse de “Racismo, escravidão e capitalismo no Brasil”, o professor da Unirio, a partir de questões colocadas pelo historiador Eric Williams, debruça-se sobre a elaboração das teorias raciológicas que a posteriori “justificaram esse fato brutal que é a escravização de pessoas negras” e a forma como elas foram acolhidas e desdobradas no Brasil.
Um dos aspectos também abordados por Damasceno diz respeito à “utilidade” das ideologias racistas no funcionamento da dominação burguesa. “O racismo é, também, útil à burguesia para submeter a classe trabalhadora, rebaixando o nível geral dos salários dos trabalhadores, inclusive da porção branca da classe”, afirmou. A forma como a abolição da escravidão foi realizada no Brasil atribuiu características próprias ao desenvolvimento local das forças produtivas, materializadas na forma da superexploração que estrutura as relações de produção no país.
A preocupação sobre a apropriação da luta antirracista pelas organizações tradicionais de luta da classe trabalhadora foi trazida pela audiência do evento, no momento em que se abriu o debate. O professor Wagner Miquéias respondeu que “é possível, sim, perceber avanços nas organizações de esquerda nos últimos anos na forma de enfrentar o racismo, mas também é perceptível a permanência de muitas resistências”.


