Por que o reitor da Unirio não convoca o Consuni?
Estamos há mais de 15 dias esperando que a reitoria atenda à autoconvocação do Consuni apresentada como demanda urgente por conselheiros e até o momento não há nenhuma informação sobre sua convocação. Não estamos surpresos, mas não podemos ficar parados diante desse desrespeito aos representantes eleitos pela comunidade acadêmica. Mais do que um episódio, denunciamos uma política deliberada de esvaziamento dos espaços democráticos desta universidade.
Neste ano, o reitor Ricardo Silva Cardoso convocou o Consuni apenas duas vezes (31 de maio e 21 de julho), desrespeitando o regimento da universidade que estabelece que as sessões são mensais. Mesmo nesses casos, só o fez depois de provocado pela crise orçamentária que assola as Instituições Federais de Ensino sob o governo Bolsonaro. No ano passado (2020), não foi diferente. Não tendo havido nenhuma sessão no primeiro semestre, foi necessária pressão da comunidade acadêmica (inclusive por meio de autoconvocação) para que se abrisse o debate no Consuni sobre os rumos da Unirio sob a pandemia de covid-19.
Fica fácil de entender esse quadro se lembrarmos que essa gestão da Unirio não se sente confortável nos espaços dedicados ao diálogo democrático. Ela os evita, ela se retira, ela fecha as portas. Negou-se a participar da consulta eleitoral aberta a toda comunidade, realizou uma cerimônia de posse fora do espaço universitário (nas dependências do Arquivo Nacional), não convoca os Conselhos Superiores se não é pressionada e, quando o faz, aumenta a tensão entre as partes ao criar entraves para que visões divergentes daquela da reitoria tenham espaço para se pronunciar. E agora ela tenta cozinhar em banho-maria os conselheiros que encaminharam uma autoconvocação demandando o debate sobre a política de cotas raciais na Unirio.
A Adunirio tem se guiado ao longo da sua história pela afirmação da imprescindibilidade do debate democrático, pela valorização dos mecanismos de gestão participativa e da legitimidade das representações estabelecidas de forma legítima. Compreendemos que a universidade, pela sua própria natureza, deve manter permanentemente as portas abertas, os conselhos funcionando e o debate vivo. Como fazê-lo, porém, quando aquele que tem a prerrogativa formal de instituir os espaços democráticos os teme?
Não defendemos atos intempestivos nem nenhuma forma de desrespeito a funcionários desta universidade. Nossa linha tem sido sempre e continua sendo a da defesa intransigente da democracia universitária. Acreditamos que o cultivo dos dispositivos democráticos seja a forma correta de lidar com as demandas, mas para isso é imprescindível que seja garantido o seu funcionamento real, que os representantes sejam respeitados e sejam expressão legítima das ideias existentes no espaço institucional. Por isso, insistimos para que a autoconvocação seja atendida. Reafirmamos que as divergências precisam ser postas e resolvidas nos espaços de debate democrático e que precisamos do seu funcionamento agora mais do que nunca.
Diretoria da Adunirio
6 de agosto de 2021


