Os capitalistas não vão arriscar enfrentar uma crise institucional
A fala do professor Iasi, candidato à Presidência da República na última eleição, foi feita durante a aula aberta promovida pela Escola de Serviço Social da UFRJ, da qual faz parte, no dia 19 de março, na Praia Vermelha, que teve como tema “Crise, Conjuntura e Universidade.
De acordo com Iasi, a “democracia de cooptação” que opera no país – na qual aceita-se a ordem burguesa em troca de pouco – tem se deparado com limites impostos pela fase atual da crise econômica. Com dificuldades de reeditar o pacto social que garantiu as altas margens de lucro das empresas monopolistas e a transferência de renda nos anos anteriores, o atual governo vem buscando intensificar a exploração do trabalho para superar a crise, o que tem tornado mais aguda a luta de classes e promovido a dimensão política da crise econômica.
A novidade na atual conjuntura, segundo a explicação do professor da UFRJ, seria a chamada “crise política” – que, apesar de sua agudeza, não se materializa em uma “crise de Estado”, na qual a legitimidade das instituições se encontraria sob ameaça.
Diante de um resultado mais apertado na última eleição presidencial e menos favorável ao PT no âmbito legislativo do que nos pleitos anteriores, o PMDB tem pressionado o governo para “renegociar os termos do presidencialismo de coalizão”, disse Iasi. A oposição, capitaneada pelo PSDB, aproveita, nesse contexto, para fazer os seus ataques e se cacifar.
O ultimato ao ministro da Educação
Para Iasi, a polêmica entre Cid Gomes (PROS) e Eduardo Cunha (PMDB) fazem parte de uma encenação, haja vista que o PMDB, embora tenha ameaçado, jamais deixaria o governo no qual possui atualmente seis ministérios. “O sucesso político do PMDB depende desse governo”, afirmou.
O PMDB estaria apenas pressionando o governo para renegociar os termos do pacto com o executivo diante das fragilidades evidenciadas nos últimos meses. “Você pode ter uma crise que tem margem massiva de lucros e atualmente muitos setores do capital monopolistas estão bem, mas eles sabem que uma hora não vão estar e querem renegociar os termos da ação do governo no momento de baixa”, considerou o professor da Escola de Serviço Social.
A mudança de ministro não deve modificar em nada a dinâmica na política de educação, segundo Iasi, que segue numa lógica de ampliação da oferta com contingenciamento de verba, empurrando, assim, as instituições e professores a buscarem fomento na iniciativa privada e a intensificarem a concorrência entre si. O que decorre disso é a precarização do trabalho e a promoção da lógica privatizante no âmbito da educação.
Ato-falho da presidenta
O professor Mauro Iasi destacou que após as manifestações do dia 13, em apoio ao governo, e as do dia 15, contra o governo, Dilma Rousseff declarou que só poderia concordar com parte das reivindicações das ruas. Para atender a essas exigências, ofereceu um pacote anticorrupção (bandeira dos manifestantes que saíram no domingo). Negou-se, porém, a atender ao chamado daqueles que lhe defenderam na sexta-feira e que pediram o abandono da política de ajuste fiscal que ataca direitos e programas sociais.
