Nota de solidariedade e repúdio a perseguições nas universidades brasileiras
A Adunirio manifesta profunda preocupação com a crescente perseguição política e ideológica na sociedade e com as formas que ela se manifesta nos espaços da universidade pública brasileira. É muito grave nos encontrarmos em uma situação em que a lista de retaliações àqueles que expressam pensamento e posições políticas progressistas não para de crescer.
Gostaríamos de expressar toda a nossa solidariedade àqueles que lutam e nosso repúdio aqueles que mobilizam recursos para perseguir o pensamento crítico na nossa sociedade.
Existem casos de professoras da Unirio, como Clarisse Gurgel (CCJP) e Malvina Tuttman (CCH), vítimas de perseguição e processos judiciais por manifestarem interna e externamente críticas aos rumos das políticas de educação. Anteriormente, tivemos três técnicos-administrativos, lideranças sindicais, exonerados por esta universidade em processos que se iniciaram nas greves em que se envolveram diretamente.
O reitor da UFSC, Ubaldo Cesar Balthazar, e seu chefe de gabinete, Áureo Mafra Moraes, enfrentam um processo do Ministério Público por alegada injúria contra uma delegada federal ao não proibirem a fixação de um cartaz de homenagem ao seu antecessor no cargo que criticava o trabalho da justiça. Luiz Carlos Cancellier, ex-reitor, suicidou-se no dia 2 de outubro de 2017 após ver seu nome envolvido em um processo criminal.
Caso semelhante atingiu os professores da UFABC Gilberto Maringoni, Giorgio Romano e Valter Pomar, investigados após serem vítimas de uma denúncia anônima por apoiarem o lançamento de um livro na universidade.
São assustadoras também as tentativas de intimidação dirigidas a docentes relacionadas ao conteúdo de suas pesquisas, como a que sofre a professora da UnB, Débora Diniz, o professor da Unifesp, Elisaldo Carlini, e uma professora da UFBA, que não teve seu nome divulgado pela universidade. São atos intimidatórios que vão da intimação até a ameaça de morte.
Nesta semana, vemos um intenso ataque da direita ser dirigido contra o reitor da UFRJ, Roberto Leher, após o triste episódio do incêndio que destruiu o Museu Nacional, resultado de anos de estrangulamento orçamentário e sucateamento, agravados pelo atual ajuste fiscal que atinge as instituições públicas voltadas para a garantia de direitos sociais. Os grandes banqueiros do país, cinicamente, pedem agora a cabeça do dirigente da universidade em troca de dinheiro para reconstruir as ruínas do museu.
Existem outros casos ainda como o da demissão do professor da Universidade Federal de Alfenas Luciano Martorano, e diversas perseguições a estudantes. Além disso, tem sido intensa a luta contra as tentativas de impor projetos de lei denominados pela direita de “Escola sem Partido”, que consistem em verdadeiras tentativas de amordaçar professores e professoras e fortalecer o obscurantismo e o dogmatismo na educação.
Convocamos todas e todos a permanecerem atentas/os a essa tentativa de cerco ao pensamento crítico e reafirmamos nossa prontidão para apoiar toda luta daqueles que não se deixarão intimidar pelo movimento reacionário que tem buscado ampliar o seu espaço na sociedade brasileira.
Diretoria da Adunirio
