Nota de solidariedade a estudantes e docentes da Escola de Ciência Política da Unirio
Nós, docentes da Unirio reunidos em assembleia no dia 12 de fevereiro, expressamos nossa solidariedade aos estudantes e docentes da Escola de Ciência Política da nossa universidade, vítimas de perseguição político-ideológica. É inaceitável mais essa tentativa de constranger membros da comunidade acadêmica por conta do seu engajamento político e da expressão das suas ideias.
No mês de janeiro, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ) pediu explicações ao reitor da Unirio baseado em documento anônimo dirigido contra um grupo de estudantes da Escola de Ciência Política, acusando-os de ameaçar e subverter a ordem. O texto é marcado pelo tom e linguagem de ódio, parecendo transposto de espaços de comentários de redes sociais e de páginas noticiosas, alvos recorrentes de ataques por parte de grupos defensores dos mais diversos preconceitos. Além disso, as vítimas tiveram seus dados pessoais, como número de documentos e endereços expostos de maneira pública após o vazamento do arquivo por parte da administração da universidade.
Ainda mais grave é o fato de não se tratar de um caso isolado. Recentemente se tornou público o ataque sofrido pelo Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP), no qual foram retiradas as bandeiras antifascistas e queimadas por um grupo que se intitula “integralista”. Em outro caso recente, vários professores do curso de Filosofia foram vítimas de um “dossiê” assinado por um grupo desconhecido no qual constavam várias injúrias e difamações.
Isto tudo acontece em uma conjuntura na qual a Adunirio vem denunciando e resistindo a sistemáticas investidas autoritárias contra a comunidade acadêmica, expressa em constrangimentos e sanções que decorrem do funcionamento da “fábrica de PADs” (processos administrativos), que já resultou em transferências e adoecimentos de alguns docentes e mesmo em demissão no caso dos técnicos.
Esse conjunto de casos deve ser objeto de discussão por parte da comunidade acadêmica e ser pautado nos Conselhos Superiores, instâncias máximas de decisões da nossa universidade.
Consideramos inaceitáveis esses ataques e expressamos nossa total solidariedade a estudantes e docentes da nossa instituição.
