Lançamento inspirado em história de vítima da ditadura integrou calendário da greve da Unirio
O livro “A chama e o vento” teve lançamento realizado na última terça-feira, 13, no auditório Paulo Freire, no Centro de Ciências Humanas e Sociais da Unirio. O romance de Sérgio Mudado é uma ficção que transita pelos acontecimentos da época da ditadura civil-militar (1964-1985). Tem como pano de fundo a trajetória de Maria Auxiliadora Lara Barcelos, homenageada no evento.
A atividade promovida pelo Grupo Tortura Nunca Mais -RJ integrou o calendário de greve da Unirio e contou também com a exibição do curta “Leucemia”, baseado em relato sobre a vida de exilados. Além disso, foi prestada uma homenagem a Maria Auxiliadora. Estiveram presentes Sérgio Mudado, autor do livro e Noilton Nunes, diretor do filme.
A mesa foi composta por Cecília Coimbra, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-RJ, Sérgio Mudado, autor, Sérgio Campos, companheiro de militância de Dora e pelo Prof Danichi Mizoguchi do Depto de Psicologia da UFF.
Maria Auxiliadora Lara Barcelos (Dorinha, Dodora) participou da luta armada contra a ditadura e pelo socialismo – fez parte de Comandos de Libertação Nacional (COLINA) e Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares). Nasceu em Belo Horizonte, estudou medicina na UFMG, atuou na clandestinidade, foi presa política barbaramente torturada. Foi banida do país em janeiro de 1971, trocada com outros(as) 69 companheiros(as) pelo embaixador suíço. Atuou no Chile de Salvador Allende e, com o golpe de Pinochet, teve que fugir para a Europa. Denunciou amplamente as torturas, mortes e desaparecimentos – os crimes contra a humanidade – praticados pela ditadura brasileira. Suicidou-se no exílio em Berlim, em 1976. Sua mãe, Dona Clélia Lara Barcelos, é referência de dignidade, coragem e combatividade dos familiares de presos políticos e de todos que lutaram contra a ditadura militar.
