Atividade em defesa da democracia lota auditório Vera Janacopulos

Com o auditório Vera Janacopulos lotado, a Adunirio deu início na última quarta-feira, 18 de maio, a um conjunto de debates sobre conjuntura política e temas do interesse docente. Durante o evento, a luta pela democracia esteve em foco nas falas dos convidados Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Renata Souza, jornalista e deputada estadual, e Tarcísio Motta, professor e vereador do Rio de Janeiro.
Vinícius Israel, diretor da Adunirio, fez uma fala de abertura lembrando que nossa seção sindical “encara o espaço da universidade como um instrumento de transformação social e redução de desigualdades” e destacou que está na pauta “a luta contra o fascismo e o autoritarismo no Brasil e nas universidades”. Fez referência também à luta atual dos docentes pela carreira e pela reposição das perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos.
Tarcísio Motta, vereador que possui também uma trajetória como professor de História no ensino básico, afirmou: “É claro que eu tô em casa na universidade, neste espaço que a gente defende porque acredita que é um espaço de pensar o Brasil e pensar o mundo pra transformá-los”. “Esses caras, os fascistas brasileiros, odeiam a educação, têm a educação como inimigo”, completou. Nesse sentido, lembrou que, no Congresso Nacional, o bolsonarismo apresentava para votação naquele mesmo instante um projeto de lei dito de “educação domiciliar” que representa um verdadeiro ataque à educação.
“Que sociedade é essa que devemos reivindicar diante de um cenário em que tantas pessoas passam fome?”, questionou Renata Souza à plateia, composta por uma maioria de pessoas que pisava pela primeira vez no auditório Vera Janacopulos (informação confirmada pelos presentes durante a fala de abertura). A deterioração das condições de vida nos últimos anos foi criticada pela jornalista, que por um tempo acompanhou a pauta dos direitos humanos junto com Marielle Franco, vereadora assassinada pela milícia carioca. Destacou também as barreiras que ainda dificultam a entrada de pessoas negras e pobres nas universidades e demais espaços de poder.
“A universidade brasileira, e sobretudo a universidade pública, foi decisiva para enfrentar a ditadura militar nos anos 70, para lutar pelas Diretas Já nos anos 80, para derrubar o Collor nos anos 90 e, eles chorem ou não, será decisiva de novo pra derrotar Bolsonaro em 2022”, afirmou Boulos ao destacar o papel do pensamento crítico e da diversidade nos debates acadêmicos. “Não existe democracia política plena, sem democracia social e econômica e o nosso país sempre teve um abismo de desigualdade”, completou.


Reposição salarial, defesa da Educação e projeto de país
Para a próxima semana, no dia 25 de maio, já está confirmado no auditório Paulo Freire, às 14h, um debate sobre a luta pela reposição das perdas no salário docente com Amauri Fragoso, tesoureiro do Andes-SN. Logo após, faremos uma homenagem a Paulo Freire pelo seu centenário (completo no ano passado), com uma solenidade na qual será fixada uma placa com sua imagem na entrada do auditório que leva seu nome.
No dia 14 de junho, daremos prosseguimento às nossas reflexões sobre conjuntura com a participação de João Pedro Stédille, liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que fará apontamentos sobre um projeto de país capaz de superar as desigualdades e injustiças sociais. Sua exposição será acompanhada pela contribuição de Marina dos Santos, militante fluminense do movimento.


