Docentes reivindicam audiência pública para discutir futuro do HUGG

A Adunirio promoveu, na manhã do dia 21 de agosto, uma roda de conversa no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) para iniciar um processo de discussão sobre a situação do hospital. Estiveram presentes professores e professoras dos cursos de Medicina, Enfermagem e Nutrição, além da diretoria da seção sindical. Houve consenso de que a Unirio necessita de uma discussão aprofundada e ampla sobre o futuro da instituição, que sofre atualmente com a descaracterização do seu caráter pedagógico e com a falta de democracia, além da falta de respeito à autonomia universitária.
Durante a conversa, docentes que trabalham no hospital reclamaram da falta de informação da gestão do HUGG e do total fechamento à participação. Foi destacado que, nos últimos anos, enfermarias como a de cardiologia, ortopedia, doenças infecciosas e ginecologia foram fechadas e o número de procedimentos caiu de cerca de 1 milhão para 250 mil. Tudo isso foi sendo implementado pela direção do hospital, definida pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), sem que a comunidade pudesse ao menos compreender e deliberar conjuntamente sobre os rumos para os quais se vem conduzindo o HUGG.
Há uma percepção generalizada de que professores e professoras foram afastados e se afastando do cotidiano da instituição nos últimos dez anos, a partir da contratação da EBSERH. Foi expresso também o sentimento de que cada vez mais o HUGG se distancia da natureza de um hospital universitário e se transforma em um hospital assistencial comum.
Ressaltou-se, também, que a gestão da EBSERH desprestigia professores e professoras e que, embora o HUGG já tenha sido uma instituição de excelência, cada vez mais perde seu caráter de ensino e de hospital destacado.
De acordo com os presentes, sabe-se que uma proposta de fusão com o Hospital dos Servidores Federais do Estado (HFSE) vem sendo discutida nos gabinetes, mas a comunidade não se encontra a par da situação desse debate. A sonegação de informação já conhecida em relação à direção do hospital, neste caso se estende à reitoria da Unirio, que não apresenta nenhuma informação oficial sobre um processo que todos sabem que avança. Foi apontado que esta situação gera bastante insegurança, desestabiliza linhas de trabalho e preocupa servidores, estudantes e pacientes do HUGG.
Há bastante preocupação em torno da proposta de fusão com o HSFE, que se mostra um tema bastante complexo e que demanda discussão aprofundada e ampla. Esse tema não pode avançar sem antes ser realizada uma avaliação aberta à toda a comunidade sobre os dez anos da EBSERH na Unirio. Às vésperas do vencimento do contrato que trouxe a nova gestão para o hospital, é preciso um diagnóstico da situação e um levantamento do que foi cumprido em relação aos termos do compromisso formal.
Diante disso tudo, a Adunirio se comprometeu a promover uma nova reunião mais ampla, visando a construção de um grande seminário no próximo ano, capaz de realizar o diagnóstico necessário e discutir os rumos do HUGG. A seção sindical se comprometeu também a reivindicar a realização de uma audiência pública pela Unirio para toda a universidade o mais breve possível.


