Docentes e estudantes da Unirio discutem com lideranças do MST caminhos para enfrentar a crise

O auditório da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto foi palco na noite de ontem, 14 de junho, de um importante debate entre lideranças do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e docentes e estudantes da Unirio. João Pedro Stedile, a mais destacada liderança do movimento, trouxe uma reflexão sobre a profunda crise capitalista que teve início no mundo em 2008 e em 2014 atingiu o Brasil. Segundo ele, que também é economista graduado pela PUC-RS e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México, as classes dominantes se uniram em torno de Bolsonaro para capturar o fundo público, mas a condução do presidente aprofundou a crise nacionalmente e agora assistimos ao estilhaçamento desse pacto.
O coordenador do MST se diz esperançoso em relação ao próximo período, pois avalia que há indicações de que um novo ciclo de conquistas para a classe trabalhadora está se abrindo. “A covid congelou a luta de classes”, considera Stedile, que identificou a dificuldades para organizar ações de defesa dos direitos trabalhistas no período pandêmico. Defende, porém, que a organização de comitês populares poderá vir a ser uma nova forma de participação na vida política frente à corrosão das instituições no quadro da crise atual.
O debate contou também com Marina dos Santos, dirigente nacional do MST moradora do Rio de Janeiro, que destacou em sua fala o aumento da fome no momento atual. “No estado do Rio de Janeiro, temos atualmente cerca de 1,3 milhão de pessoas passando fome todos os dias”. Segundo ela, os conglomerados produtores de alimento detém verdadeiros latifúndios e representam uma matriz de produção tecnológica que é em grande parte responsável pela fome que atinge a população. De forma diferente, a agricultura familiar é responsável pela alimentação de 80% dos alimentos fornecidos, sendo o MST, por exemplo, o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.
Marina defendeu a importância de se elaborar políticas que garantam a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, defendam a natureza. Além disso, afirmou que um dos desafios para o próximo período será criar e implementar um plano emergencial de combate à fome, para o qual os comitês populares podem ter um papel fundamental.



