Docentes da Unirio dizem NÃO à proposta de “fusão” do HUGG com o HFSE
Docentes reunidos em assembleia na última quarta-feira, 28, discutiram e decidiram que a Adunirio deve se posicionar contra a proposta denominada “fusão” entre o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) e o Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). Entre as principais preocupações apresentadas, foi explicitado que, ao contrário do que vem sido dito oficialmente, a medida representará o fechamento do HUGG.
Durante a assembleia, destacaram-se os relatos de docentes da Escola de Medicina e Cirurgia (EMC) que expressaram muitas preocupações com o que pode vir a ser o encerramento de uma história centenária. O hospital, fundado em 1929 e incorporado pela Escola de Medicina e Cirurgia em 1966, irá deixar de funcionar como tal e o edifício será utilizado para outras finalidades caso seja aprovada a resolução proposta pela reitoria da Unirio. O ponto será apreciado na próxima sessão conjunta dos Conselhos Superiores a ser realizada no dia 5 de junho (quinta-feira).
A proposição da administração da universidade junto com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e o Ministério da Saúde prevê, na prática, a dissolução do HUGG na estrutura amplamente maior do HFSE, transferindo todo o quadro de funcionários e equipamentos para o espaço em que atualmente funciona o hospital federal. Além da evidente descaracterização da instituição e do desmantelamento de linhas de pesquisa que levaram anos para se constituírem, foi mencionado o risco de que a transferência do hospital possa resultar na reversão da doação do prédio por “inexecução do encargo ou ingratidão do donatário”, haja vista que a proposta da reitoria representa o fim da prestação do serviço hospitalar e, logo, o desvio de finalidade da doação.
Foram pontuadas também outras preocupações, como, por exemplo, a inviabilidade orçamentária para a Unirio manter custos que serão ampliados quando atualmente o que se vê na conjuntura são cortes sistemáticos nas verbas da Educação e Saúde. Foi criticada também a inadequação de um plano que não prevê a complexidade de um processo de transferência hospitalar, que implicaria riscos para áreas sensíveis do hospital, como as que se referem a pacientes oncológicos, pediátricos e gestantes de risco.
Foi apontado ainda que há falsas informações circulando entre estudantes de medicina de que estes teriam alguma prioridade na realização de suas residências no HFSE após a dissolução do HUGG nesse hospital, quando na verdade não há como oferecer quaisquer garantias nesse sentido.
Docentes criticaram também a falta de propostas factíveis para os problemas críticos do Instituto Biomédico (IB), sediado atualmente no campus da rua Frei Caneca. Foi ressaltado que no plano apresentado pela reitoria não há sequer um cronograma nem orçamento previsto para realizar a transferência pretendida pela administração da universidade, apesar de prevista a ocupação da atual estrutura do HUGG por cursos, departamentos e laboratórios do Instituto.
As/os docentes deixaram claro na assembleia que o futuro do HUGG precisa ser discutido seriamente, que a instituição passa por problemas que demandam solução, e que têm muito interesse em negociar propostas factíveis, mas que serão irredutíveis na defesa do hospital e contrários a qualquer medida que signifique o seu fechamento, mesmo que ela venha disfarçada com o nome de “fusão”.


