Docentes da Unirio aprovam adesão à Greve Nacional da Educação do dia 13 de Agosto e dizem não ao Future-se

Os(as) docentes da Unirio reunidos(as) na assembleia do dia 7 de agosto aprovaram a adesão à Greve Nacional da Educação agendada para o dia 13. Profissionais do setor de todo o país irão paralisar suas atividade regulares. Além disso, serão realizadas manifestações espalhadas por todo o país que devem contar com a adesão de outras categorias. O foco dos atos públicos será a denúncia contra os sucessivos cortes no orçamento das instituições de ensino e pesquisa, assim como contra o projeto “Future-se”.
Com a decisão, as atividades letivas serão paralisadas no dia 13 de agosto por 24 horas, com a realização de ações voltadas para o debate público sobre os rumos da Educação no país. A assembleia docente deliberou pela criação de uma comissão de mobilização na Adunirio, que terá sua primeira reunião na segunda-feira dia 12 de agosto e prepara mais uma edição da “Universidade na Praça” no dia 13, ação em que docentes vão às ruas debater com a população o que é produzido nas universidades e sua relevância social.
A assembleia deliberou ainda pelo voto contrário da Adunirio em Conselho Universitário (Consuni) sobre o “Future-se”, pela realização de uma assembleia comunitária no final de agosto, por levar uma proposta de campanha em defesa da educação pública para o setor das federais do Andes-SN e pela produção de um material de divulgação sobre capital financeiro e financeirização das políticas sociais pelo GT Verbas da Adunirio. Além disso, foi proposta a ativação do Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte (GTCA), aberto à participação de todos(as) os(as) docentes da Unirio.
A próxima assembleia docente da Adunirio ficou indicada para acontecer na terceira semana de agosto.
Professores(as) apontam graves riscos na proposta do “Future-se”
Durante a assembleia, professores e professoras discutiram o conteúdo da proposta do “Future-se”. Entre os pontos destacados, afirmou-se que o projeto tem por objetivo aprofundar as tendências privatizantes existentes nas universidades, entregando o controle das instituições ao mercado financeiro e aos interesses corporativos e, inclusive, do mercado imobiliário.
Para o 1º Secretário da Regional RJ do ANDES-SN, Dan Gabriel, uma instituição como a Unirio, com um campus em uma área de alto interesse imobiliário na Zona Sul do Rio de Janeiro, deve sofrer forte pressão se o “Future-se” for aprovado. Isso irá acontecer porque o projeto prevê a exploração dos imóveis das universidades como “fonte de recursos” para a Educação.
A denúncia de financeirização presente no “Future-se” chama a atenção principalmente para os trechos do texto em que se afirma que o orçamento das universidades será formado, entre outros, por “fundos de investimento de natureza privada” alheios à gestão das instituições.
Durante o debate, foi destacado também o aspecto de desresponsabilização do Estado camuflado nas partes em que o projeto se refere à autonomia universitária nos termos da “autonomia financeira, administrativa e de gestão”. O “Future-se” promove assim a substituição da autodeterminação político-pedagógica das instituições pela entrega da Educação aos interesses dos agentes do mercado – sobretudo financeiro – e de Organizações Sociais (OS), que assumirão o papel de gestoras de áreas estratégicas das universidades.
A Greve Nacional da Educação do dia 13 de agosto deve ser uma data privilegiada para avançar na discussão crítica do “Future-se”.


