Diretor do HUGG se compromete a colaborar para a efetivação do Conselho Gestor
O diretor do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), Fernando Ferry, se comprometeu no dia 10 de novembro, em reunião com a diretoria da Adunirio, a colaborar para a efetivação do Conselho Gestor do hospital. Durante o encontro marcado para discutir a situação do HUGG, a seção sindical reivindicou a sua rearticulação e o diretor respondeu com um “Vamos, então, tocar o Conselho Gestor”.
A proposta de efetivar o Conselho Gestor do HUGG nos moldes do SUS, conforme deliberação do Consuni do dia 29 de abril de 2014 e acordo assinado com a Comissão dos Três Segmentos, consta na pauta local de reivindicações construída pelo movimento docente da Unirio. O objetivo é fortalecer a democracia universitária e, na atual conjuntura, favorecer um debate ampliado sobre saídas para a crise do HUGG.
O HUGG possui hoje uma dívida de R$ 12 milhões e mesmo com a repactuação feita este ano com o SUS, que conferiu mais R$ 6 milhões ao hospital, a expectativa é de um incremento anual de R$ 12 milhões a essa dívida (de um total de R$ 37 milhões em despesas).
Os Três Segmentos vêm lutando nos últimos anos contra as ofensivas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que tem por objetivo impor aos hospitais públicos, principalmente universitários, a lógica do produtivismo, da mercantilização e da intensificação da exploração do trabalho. A adesão ao contrato da empresa tem sido sistematicamente forçada por parte do Governo Federal como medida para conter a crise na área da saúde fomentada pela política neoliberal de desmantelar os serviços sociais em nome das medidas privatistas e do lucro dos grandes grupos rentistas (praticamente metade do orçamento da União vai para o pagamento dos juros e amortizações da dívida pública).
Segundo o diretor Ferry, permitir que a lógica do mercado tome conta de um hospital é fazer com que os serviços mais necessários sejam substituídos pelos mais lucrativos. “Vão querer que aumentemos o números de cirurgias neurológicas e ortopédicas porque é o que dá mais lucro”, afirma. O HUGG se tornou ao longo de sua história referência no tratamento e na pesquisa do vírus HIV, por exemplo, e o diretor afirma que tudo isso pode se perder se se impõe uma lógica em que o lucro prevalece. “É desumano”, afirmou.
A Adunirio defende que a efetivação do Conselho Gestor, eleito pela comunidade acadêmica, capaz de discutir democraticamente os desafios do HUGG, é fundamental para a construção de uma saída para o hospital universitário e para a defesa da saúde e educação pública de qualidade.
