Críticas ao Future-se marcam debate no CCET

Na última terça-feira (1/10), a Decania do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET) realizou um debate sobre o Future-se com a participação de representantes da reitoria, da Adunirio, da Asunirio e do DCE. Docentes, técnicos-administrativos e estudantes estiveram no auditório Tércio Pacitti acompanhando um rico debate, no qual a ênfase foi a crítica ao projeto apresentado pelo governo Bolsonaro.
A abertura do debate foi feita pelo professor José Ricardo Cereja, coordenador de inovação da universidade. Apresentando os diversos pontos expostos no Future-se, o professor apontou que o documento apresentado pelo Ministério da Educação (MEC) tem características de um conjunto de intenções, e não de um projeto. Dentre as críticas apontadas, Ricardo Cereja afirmou que na proposta o governo federal diz o “que fazer”, mas não expõe “como fazer”. Para ele, a universidade não deve simplesmente dizer não ao projeto, mas deve se comprometer em apontar propostas. No atual cenário de polarização política, Cereja acredita que seria importante buscar “o caminho do meio”.
Logo em seguida, foi a vez do professor Rodrigo Castelo falar em nome da Adunirio e ressaltar a importância de a Unirio se somar às outras 25 universidades que debateram e disseram não ao Future-se. Dentre outras, encontram-se instituições com bastante peso como a UFRJ, a Unifesp, a UFMG e a UnB. Castelo contextualizou a política econômica que vem sendo implementada no país e destacou o problema da financeirização das políticas sociais. Apontou também que o projeto utiliza o discurso da “autonomia financeira” para desresponsabilizar o Estado de prover verbas para a educação e empurrar as instituições de ensino para se submeterem ao mercado. Além disso, o professor afirmou que não há falta de dinheiro para Educação, sendo que, enquanto 36% do orçamento federal são destinados à seguridade social e educação, 45% são sugados pelo pagamento de juros e amortizações da dívida pública.
O Diretório Central dos Estudantes e a Asunirio também fizeram falas contundentes contra o projeto. Vini Dantas, do DCE, ressaltou o problema das relações com o mercado e apontou que na universidade já existe sala com nome de um banco privado. Já Wilson Ferreira, coordenador geral da Asunirio, comparou o Future-se ao projeto da Ebserh, que foi aprovado sob protesto e com bastante truculência. O técnico-administrativo afirmou ainda que a proposta do MEC significa a “desgraça e o fim da universidade que queremos”.
Algumas falas chamaram a atenção também para o momento antidemocrático que a Unirio passa, tendo um reitor nomeado que se negou a participar da consulta aberta à comunidade.
Diversos debates sobre o Future-se vêm sendo promovidos pelos três segmentos nas diversas unidades acadêmicas e por algumas decanias, preparando a comunidade para a sessão conjunta dos conselhos superiores no dia 19 de novembro que definirá a posição da Unirio sobre o tema.


