Cortes no orçamento da Unirio: é hora de enfrentar esse debate de forma aberta
Na última segunda-feira, 17, a reitoria publicou um comunicado de que o funcionamento da Unirio depende da revisão do seu orçamento. Os 100% de corte no investimento e a liberação de apenas 40% da verba discricionária aprovada demonstrou claramente que nem o alinhamento com o governo Bolsonaro garantiu salvar o pescoço de ninguém.
A opção por virar as costas para a democracia universitária, para a consulta à comunidade acadêmica na hora de eleger o reitor e seu vice, não garantiu que a Unirio estivesse isenta de sofrer o golpe que agora acomete todas as instituições de ensino federal do país. Muitas, porém, estão saindo a campo para denunciar a inviabilidade de se manter funcionando hoje com o mesmo orçamento de quase 20 anos atrás, quando tinham menos da metade do seu tamanho.
Há todo um esforço que vem sendo realizado por várias companheiras e companheiros nossos da Unirio no combate à pandemia da Covid-19, seja nas pesquisas e ações realizadas e nas duras jornadas de trabalho dos profissionais de saúde do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG). Há também a batalha para manter a dinâmica do desgastante ensino remoto. Ainda assim, a resposta que o governo genocida de Bolsonaro oferece para instituições como a nossa é o desprezo, os esvaziamento democrático e a inviabilização do funcionamento mais básico.
Os cortes no orçamento já impactariam fatalmente a nossa universidade em tempos normais. No contexto pandêmico e pós-pandêmico, em que há uma demanda extra de medidas sanitárias, a insuficiência de verba põe literalmente em risco a vida de pessoas da nossa comunidade acadêmica. Não se pode comprar os insumos básicos de limpeza e de manutenção. Condenam também ao desemprego boa parte dos trabalhadores e trabalhadoras terceirizados, os quais já se encontram em uma situação de vulnerabilidade inaceitável – fruto de opções semelhantes feitas no passado de precarização dos serviço público.
Queremos medidas concretas para enfrentar esse problema e elas passam por uma reabertura do espaço democrático. A reitoria lançou uma nota em seu site e o que mais? O que está sendo feito para enfrentar esse grave problema? Não se sabe. Não há uma sessão de Conselho para discutir o tema. Aliás, a reitoria se esconde. Ao longo de todo 2021 só tivemos uma sessão do Consepe e nenhuma do Consuni. Foi a opção por se fechar ao debate democrático que nos trouxe até aqui e que sustenta esse governo que tem como projeto acabar com todo o sistema público de Educação (pois afinal, o negacionismo prescinde do cultivo dos saberes). Já passou da hora de sair desse caminho.
É hora de fazer como outras instituições estão fazendo e travar esse debate publicamente. As entidades que representam os docentes, os técnicos e os estudantes estão num movimento de crescente mobilização. A Educação precisa resistir.
Diretoria da Adunirio
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