Adesão à Ebserh é aprovada por telefone e sob violência policial na UFPR
A sessão do Conselho Universitário (COUN) da Universidade Federal do Paraná, convocada para decidir sobre a entrega do Hospital de Clínicas à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), no dia 28 (quinta-feira), foi marcada pela ação violenta de policiais federais, que reprimiram a comunidade acadêmica, jogando bombas e atirando com balas de borracha contra manifestantes de dentro da própria universidade.
A Frente de Luta em Defesa do HC, integrada pela Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR-SSind), havia convocado a comunidade acadêmica da UFPR para participar de um ato público em defesa do Hospital de Clínicas da UFPR no dia 28, às 8h, no pátio da reitoria. O movimento que defende o HC foi surpreendido, porém, na tarde desta quarta-feira (27), com a notícia de que a reitoria da UFPR obteve na justiça um interdito proibitório para impedir a manifestação da comunidade universitária. No pedido à Justiça Federal, foi solicitado o envio de 100 policiais, incluindo o uso da tropa de choque para conter qualquer manifestação.
Mesmo diante do tumulto armado pelo aparato policial, no qual pessoas foram atingidas por estilhaços de bomba e balas de borracha, no qual um funcionário de empresa privada de segurança desmaiou devido aos efeitos do gás lacrimogêneo e no qual foi impedida a entrada de vários conselheiros na reunião, o reitor Zaki Akel Sobrinho decidiu realizar a sessão do conselho.
Em um caso talvez único na história da Universidade brasileira, a sessão do conselho foi realizada com cerca de metade dos votantes participando por telefone. Uma estrutura prévia já havia sido montada para que houvesse participação por videoconferência dos conselheiros que foram levados de ônibus do pátio da reitoria até o Hospital das Clínicas. Entretanto, a queda no sistema de internet impediu que a reunião fosse realizada dessa forma. Dos cerca de 63 conselheiros, apenas 40 participaram da sessão, se dividindo entre a reitoria e o hospital das clínicas.
Com a manobra, a reitoria conseguiu aprovar a adesão à Ebserh por 31 votos a 9. A Frente de Luta em Defesa do HC deve questionar judicialmente a validade de uma sessão realizada nessas condições. “Em um momento em que a sociedade exige cada vez mais transparência, a realização por telefone de uma sessão tão importante do Conselho Universitário coloca em risco o futuro dos processos democráticos na nossa instituição”, afirmou o presidente da APUFPR-SSind, João Negrão Negrão.
Antecedentes
No dia 21 de agosto, o Conselho Universitário (COUN) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) debateu a proposta de entrega do Hospital de Clínicas (HC) à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. A Frente de Luta em Defesa do HC na UFPR tem destacado a ameaça que a adesão representa ao Regime Jurídico Único (RJU), confirmada pela Diretora de Gestão de Pessoas da Ebserh, Jeanne Liliane, presente na reunião, que afirmou que o Ministério do Planejamento só autorizará contratação por meio da CLT. Saiba um pouco mais sobre o tema clicando aqui.
Com informações da APUFPR-SSind
