Dia dos Professores reforça a luta em defesa da educação pública e da democracia no Brasil

A confraternização promovida pela Adunirio no Dia dos Professores reuniu cerca de 70 docentes e foi marcada pela alegria dos reencontros, mas também pela demonstração de união e disposição para a luta em defesa de um projeto de país soberano, justo e inclusivo, que garanta direitos e qualidade de vida à população.
Neste ano, o 15 de outubro ocorreu apenas dez dias antes do segundo turno de uma eleição histórica para a democracia brasileira. Nesse contexto, os docentes reafirmaram seu engajamento na defesa da democracia e na mobilização pela reeleição de Lula, sem deixar de lado suas pautas específicas, como a valorização do magistério superior e a defesa da autonomia universitária.
Diógenes Pinheiro, professor de Economia e Educação Popular da Unirio, avalia que os docentes têm um papel fundamental na preservação da democracia, pois são responsáveis pela formação das novas gerações. Segundo ele, as transformações ocorridas nas universidades públicas nos últimos anos demonstram a importância das políticas de inclusão e refletem o modelo de sociedade que vem sendo construído.
“Eu vejo isso hoje com muita esperança nos meus alunos, que estão muito mobilizados com esta eleição. Atualmente, a universidade pública, onde a gente está, é basicamente popular, negra e feminina. Isso é uma grande novidade no Brasil, que aconteceu nos últimos 20 anos, sobretudo nos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma. Que país que a gente quer? A gente quer um país com direito para todos, com cidadania, ou a gente quer um país com trabalho precário, com violência, com armas?”, pondera Pinheiro.
Para Elisa Macedo, professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Tecnologia no Espaço Hospitalar (PPGSTEH), a confraternização promovida pela Adunirio é uma oportunidade de “fortalecer a categoria para a luta em defesa de um país democrático”. Ela alerta para os possíveis impactos de uma mudança de governo sobre o financiamento e a continuidade das políticas públicas de saúde e educação.
“O desmonte do Sistema Único de Saúde [SUS] é um dos principais pontos de temor. Realmente, a saúde é de uma importância fundamental para o país e para a sobrevivência das pessoas, além da educação, que agora, nesse último governo [Lula], nós começamos a ter todo esse processo revertido positivamente. Torço muito para que a saúde tenha a ganhar, a educação tenha a ganhar, se a gente conseguir continuar com o nosso governo atual”, ressalta.
O futuro das universidades
O financiamento do ensino superior é uma preocupação presente na comunidade acadêmica. Na avaliação dos docentes ouvidos, as propostas apresentadas para a área educacional nos planos do Flavio Bolsonaro geram preocupações quanto ao financiamento das universidades públicas, à continuidade das políticas de inclusão e à integração entre universidades e escolas, inclusive no que diz respeito à formação de professores.
A professora de Estatística da Unirio Maria Beatriz da Cunha considera que as medidas propostas podem comprometer o funcionamento das universidades públicas e a continuidade de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.
“Essas medidas visam exatamente ao enfraquecimento das universidades públicas, com redução de recursos. Isso vai fazer com que os projetos de pesquisa diminuam e que as mais diversas bolsas sejam cortadas. Então, por isso, precisamos lutar muito agora para mudar o voto, para levar a população que não foi votar no primeiro turno a votar, para evitarmos esse cenário”, conclui.
Criado na Unirio antes do primeiro turno das eleições, o comitê de apoio à reeleição de Lula ganhou força nas últimas semanas, impulsionado pela participação de estudantes e professores de diversos cursos. O grupo tem atuado em manifestações de rua, bancas de panfletagem e mobilizações nas redes sociais.
Na reta final da campanha, a intensificação dessas ações depende da adesão de mais pessoas. Os docentes da Unirio se somam, assim, aos estudantes na mobilização em busca de votos.
Como nos lembra o educador Paulo Freire, “o futuro somos nós que fazemos, o futuro é questão de nossa opção política, de nossa opção ética, de nossa opção estética, que não se separa e que envolve a nossa decisão no sentido de intervir no mundo”.
Por Jaqueline Deister




