Adunirio defende divulgação de estudos sobre HUGG e balanço da gestão EBSERH

A Adunirio participou de uma reunião com a reitoria no dia 12 de fevereiro para discutir o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG). No diálogo, a seção sindical reafirmou os pontos expressos na nota publicada no início da semana, na qual reivindica que estudos sobre a situação do hospital sejam compartilhados com a comunidade acadêmica para subsidiar as futuras decisões sobre o seu destino, assim como afirma a necessidade de um balanço dos dez anos em que a unidade acadêmica e assistencial se encontra sob a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).
A reunião foi realizada a convite da reitoria, que acompanha as tratativas com o Ministério da Saúde relacionadas à proposta de uma eventual fusão entre o HUGG e o Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). A Adunirio expressou sua preocupação com o que pode vir a ser “um passo maior do que a perna”, em que, na busca de soluções para problemas concretos, a Unirio aprofundaria a perda da autonomia universitária e estaria arriscando ver o prédio histórico do HUGG se deteriorar completamente.
A professora e enfermeira Thereza Cardoso, integrante do Conselho de Representantes da Adunirio, apontou que é bem nítido que, na gestão da EBSERH, há uma hipertrofia de atividades assistenciais de baixo custo do hospital em detrimento do ensino, da pesquisa e extensão. Desta forma, prevalece a concepção empresarial e privatista, preocupada em catapultar números, em detrimento do papel do hospital na formação de novos profissionais e na produção de conhecimento.
A diretora da Adunirio Janaína Menezes afirmou que, com a falta de transparência e de um balanço dos dez anos da gestão do hospital universitário pela EBSERH, não há como a comunidade saber se a sua finalidade está sendo cumprida.
O restauro da infraestrutura atual do HUGG é avaliado preliminarmente em mais de R$ 200 milhões, o que representa cerca de quatro vezes o orçamento de toda a Unirio, destaca Rodrigo Castelo, diretor da Adunirio. Diante deste fato, e da vigência do Novo Arcabouço Fiscal – que retira bilhões de reais das políticas sociais -, o professor avalia ser difícil de acreditar que, diante de uma eventual fusão com o HFSE e com a transferência das atividades hospitalares para este, haveria a reforma necessária do HUGG para se adequar a novas funções.
Diante dessas e outras preocupações, foram apresentados os seguintes encaminhamentos: 1. a realização de novas audiências sobre o tema no Instituto Biomédico (IB) e nos campi da Unirio Praia Vermelha; 2. não haver nenhuma deliberação sem antes haver ampla divulgação dos resultados do estudo que vem sendo feito mediante o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre Unirio e EBSERH; 3. promover um balanço dos dez anos de gestão do HUGG pela EBSERH.
O entendimento da Adunirio é que qualquer decisão futura sobre o HUGG deve envolver amplamente todos os segmentos e centros da Unirio, preservando o caráter público, gratuito e autônomo da universidade, ao contrário do que ocorreu há dez anos atrás, quando a EBSERH foi implementada de forma truculenta e autoritária.


