Pela recondução da ação política às instâncias democráticas e contra a criminalização das lutas sociais
Quem acompanha a história da Adunirio sabe que nesta seção sindical temos uma concepção de política centrada no cultivo de processos de mobilização da categoria, pautados pela leitura crítica da realidade concreta, pelo convencimento político, pela organização coletiva da ação e pela defesa dos interesses da classe trabalhadora. Nossas posições e ações são construídas em assembleia, conselhos próprios, conselhos acadêmicos, em fóruns nacionais, em diálogo com entidades representativas de estudantes e técnicos. Acreditamos que, na atual conjuntura, destaca-se a importância de nos diferenciarmos dos autoritários e dos voluntaristas através da valorização dos fóruns democráticos da universidade, tão combalidos pelo sistemático esvaziamento e ataque sofridos ao longo dessa gestão que ocupou sua posição de costas para a comunidade acadêmica.
Há muitos anos vimos alertando sobre a condução autoritária da Unirio, que gera uma série de problemas de deformação na cultura política da universidade e que canalizam os processos decisórios para fora dos espaços adequados nos quais deveriam ser tratados. Por um lado, vemos decisões administrativas tomadas privilegiando grupos específicos sem a devida transparência, na informalidade, sem a necessária participação e prestação de contas. Por outro, aos setores excluídos de espaços efetivos para encaminhar demandas resta a resignação – manifesta no desânimo e na evasão de muitos – ou a impaciência – e seu potencial para rompantes mal conduzidos que fragilizam a luta legítima.
A Adunirio respeita a autonomia do movimento Fica Amanda, embora não o integre e se reserve o direito de discordar de sua condução sem qualquer comprometimento do seu acordo com o conteúdo da bandeira levantada. Mesmo não concordando, porém, com a direção política dada pelo grupo – não estivemos presentes na manifestação do dia 10 de maio, por exemplo –, muito nos preocupa vermos uma nota de repúdio de nossa reitoria publicada nos seus canais de comunicação contra membros da própria comunidade com o claro objetivo de criminalizar e deslegitimar as lutas sociais. O papel de uma administração universitária comprometida com a democracia deveria ser o de priorizar o encaminhamento das demandas, buscar a mediação dos conflitos e proteger a integridade de todos os seus membros, ao invés de utilizar o privilégio que possui de controlar os recursos institucionais para explorar fragilidades e tropeços daqueles que discordam do seu domínio e atacá-los.
O diálogo que conseguimos travar até agora na universidade em torno do caso Amanda proporcionou um importante feito: o reconhecimento por parte do Consuni de que a Unirio cria seus próprios obstáculos burocráticos que comprometem o acesso de estudantes negros ao direito à Educação. Dado o reconhecimento pela comunidade acadêmica, resta à reitoria dar consequência ao deliberado, prestar contas e aperfeiçoar os mecanismos para que casos como este não se repitam. Fazemos um chamado para a comunidade acadêmica para que as próximas ações sobre este tema se deem como desdobramento deste entendimento, nos marcos do diálogo que foi estabelecido no Consuni.
Adunirio

