Plenária homenageia estudante da Unirio vítima de feminicídio e propõe mecanismos para proteger as mulheres

Estudantes da Unirio realizaram uma plenária no fim da tarde desta terça-feira, 3, no pátio do Centro de Letras e Artes (CLA) para discutir o assassinato de Ayend Cristine Nascimento Hammad, 31 anos, estudante do curso de pedagogia. A atividade foi organizada pelo DCE e pelo Coletivo Dandara de Mães e Gestantes da Unirio – organização cuja criação contou com a participação de Ayend.
A diretora do DCE, Leila Pitz, destacou que o assassinato de Ayend “não é um caso desconectado da realidade que temos ao nosso redor”. A estudante de pedagogia foi assassinada pelo marido na última sexta-feira, no apartamento do casal em Vila Isabel, no qual se encontravam os dois filhos pequenos.
De acordo com o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre março de 2020 e dezembro de 2021 foram 2.451 feminicídios. No ano passado, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 7 horas no Brasil, conforme os registros oficiais.
Raquel Vitorino, membro do Coletivo de Mães, contou à reportagem da Adunirio que Ayend havia dito que seu marido era contra sua entrada numa graduação. “Ela entrou no curso de pedagogia por causa dos filhos, pensando na educação de um deles que tem necessidades especiais”, afirmou.
O professor Vinícius Israel, diretor da Adunirio, contou durante a plenária que já vivenciou casos na Unirio em que uma aluna e uma colega docente não encontraram na universidade apoio para se proteger de assediadores. Além de manifestar sua solidariedade, afirmou que a seção sindical estará à disposição para dar apoio às iniciativas tiradas pela plenária.
Ao final da discussão, as estudantes definiram que irão elaborar um documento reivindicando que a Unirio disponha de mecanismos para acolher denúncias de assédio, ameaça e violência contra mulheres. Foi definida também a realização de um ato em memória de Ayend, ainda sem data definida.
Vale lembrar que, há menos de seis meses, a Unirio esteve no noticiário nacional por causa de outro caso relacionado ao machismo, no qual um professor de paleontologia foi denunciado por assediar alunas e professoras ao longo de anos de exercício da função.
Memória e apoio
Na segunda-feira, 2, professoras/es e colegas de Ayend promoveram uma atividade no auditório Paulo Freire, no Centro de Ciências Humanas e Sociais da Unirio, em homenagem à estudante, de quem lembraram com muito carinho.
Uma campanha de doações foi organizada pelo irmão de Ayend Cristine com o apoio de amigos para custear a criação das duas crianças, de 6 e 3 anos, que perderam a mãe e se encontram agora sob os cuidados do tio.
As contribuições podem ser feitas através do link: https://www.vakinha.com.br/2827859
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