9 de março: os servidores públicos federais vão parar!
Em unidade com outros setores federais, há entre professoras e professores um forte sentimento de que é preciso fazer alguma coisa urgentemente para enfrentar os cortes em áreas fundamentais (como a Educação e a Pesquisa), a desvalorização dos seus salários, a precarização das condições de trabalho e resistir aos sucessivos ataques do governo Bolsonaro. Diante disso, os servidores públicos federais (SPFs), por meio de um fórum comum (Fonasefe), estão construindo uma greve nacional a ser deflagrada no dia 9 de março.
A assembleia docente da Adunirio do dia 9 de fevereiro deliberou que professores(as) da Unirio irão integrar essa mobilização nacional pela construção de um movimento que reivindique reajuste salarial de 19,9%, luta contra o avanço da reforma administrativa e pela revogação da Emenda Constitucional 95. Foi constituída uma comissão de mobilização local e estão previstas assembleias quinzenais da Adunirio para encaminhar atividades com este fim.
Diante de algumas dúvidas que nos foram enviadas, entramos em contato com Regina Ávila, secretária-geral do Andes-SN, para explicar um pouco do que está sendo feito no âmbito da mobilização dos SPFs e das seções sindicais do Andes-SN.
Segundo a diretora do Sindicato Nacional, “o dia 9 de março saiu da construção unitária no âmbito do servidores públicos federais e está sendo indicado para iniciar greve por tempo indeterminado, mas serão as assembleias de base de cada entidade que definirão seu caráter e prazo a partir da avaliação das condições objetivas identificadas”. As posições deliberadas nas seções por todo o país serão levadas para a próxima reunião dos setores no próximo dia 22 fevereiro e a partir daí serão encaminhadas ao fórum dos SPFs. A direção nacional considera a greve necessária.
Regina Ávila diz ver um grande desafio na mobilização da categoria, que se encontra, em boa medida, ainda em condições de trabalho remoto. “Vamos construir o processo [de mobilização] com o retorno das assembleias, mas nossa avaliação é que precisaremos ocupar presencialmente as universidades”, afirma.
De acordo com a secretária-geral do Andes-SN, “temos perdas salariais históricas que vão além desse percentual que possibilitou a unidade dos SPFs. Temos a necessidade de revogação da EC 95*, que, junto com a PEC 32**, vêm para destruir os serviços públicos e a educação pública. Portanto, a vitória dessa mobilização paredista é central para a defesa do trabalho docente e da educação pública”.
* Emenda Constitucional 95 – Medida que vigora desde 2017, conhecida como “teto de gastos” e que limita por 20 anos a aplicação de recursos em áreas fundamentais à garantia de direitos da população.
** Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo Poder Executivo que altera regras sobre servidores públicos e modifica a organização da Administração Pública direta e indireta, impactando destrutivamente todo o sistema público federal.


