Mobilização para reintegração de Amanda promove debate sobre cotas na Unirio nesta quinta-feira
A estudante Amanda Silva Gomes, atriz, negra e cotista na Unirio teve sua matrícula cancelada no curso de Teatro após uma orientação errada em relação à documentação por parte da Pró-Reitoria de Graduação. O movimento que surgiu para a reintegração da estudante aponta para a importância de se prestar a devida atenção à situação de estudantes não-brancos e provenientes das periferias dos grandes centros urbanos, que vêm sofrendo dificuldades, em especial no contexto da pandemia. Nesse sentido, no dia 15 de abril, quinta-feira, às 19h, será realizada uma transmissão sobre a política de cotas abordando o caso da estudante.
A atividade será transmitida pela TV Adunirio, canal da seção sindical dos docentes da Unirio no Youtube, e contará com a participação do Andes-SN e do Coletivo Primavera Negra, além da mediação do DCE.
Para Amanda Silva, o cancelamento da sua matrícula representa um obstáculo com várias camadas, que passa pelo equívoco e pelo autoritarismo de uma burocracia que perpetua exclusões. “Há uma falta de cuidado e zelo em garantir ao aluno, o direito ao estudo”, explica a estudante. “É necessário atenção e orientação específica aos alunos cotistas, já que para nós, a quantidade de documentação requerida é muito maior”, completa.
Segundo Rosineide Freitas, 2ª Vice-presidenta da Regional RJ do Andes-SN, está em questão “o lugar da burocracia no processo de acesso à política pública do sistema de cotas, que é uma política importante não só de reparação histórica, mas no conjunto das políticas de ações afirmativas”. Ela explica que a burocracia não pode ter um fim em si mesma, mas deve funcionar como porta de entrada para o acesso à universidade, dando condições para que os estudantes tenham o conhecimento necessário para atender à burocracia. Para isso, porém, “a Unirio precisa mostrar vontade política para garantir a manutenção e o acesso a essa importante política pública”, completa a docente.
Para Miguel Hauer, diretor do DCE da Unirio, “a universidade não deveria ser a criadora de mais um entre tantos obstáculos que as pessoas negras e de baixa renda enfrentam para ingressar no ensino superior, nem permanecer neutra quanto a isso, mas sim ser uma facilitadora, impulsionar o ingresso dessas pessoas para democratizar o ensino no país”.
“Se a pessoa passou no vestibular, a universidade deve apoiá-la na inscrição, dar mais clareza sobre a documentação, permitir o envio de documentação faltante num primeiro momento, qualificar os servidores do processo de acesso para que haja um atendimento com maior atenção e apoio aos candidatos”, completa o diretor do DCE.
Entenda o caso
Amanda Silva Gomes é uma jovem negra, atriz, diretora artística e professora de teatro da companhia de teatro Megaroc, de Realengo. Foi aprovada em primeiro lugar nas vagas de ação afirmativa do vestibular 2020.1 para o Curso de Licenciatura em Teatro na Unirio, algo que permitirá aprimorar seu trabalho como professora de teatro, realizado desde 2013 na zona oeste do Rio de Janeiro – uma área periférica esquecida pelas políticas públicas de cultura e educação.
Entretanto, a administração da Unirio indeferiu a matrícula de Amanda após orientar de forma equivocada o procedimento para a realização da mesma. Depois disso, a instituição tem mobilizado seu aparato administrativo e jurídico para impedir que a injustiça seja reparada. Amanda conhece pelo menos mais três cotistas que também tiveram problemas com a sua integração na Unirio.
O movimento #AMANDAFICA produziu um abaixo-assinado que já conta com cerca de 30 mil assinaturas de apoio.
Link
abaixo-assinado:
https://www.change.org/p/unirio-unirio-cassa-matr%C3%ADcula-de-cotista-negra-amanda-fica
Link para o debate:

