Debate sobre Future-se no CLA aborda os problemas do projeto para produção artística e cultural
No dia 16 de outubro, o Centro de Letras e Artes (CLA) realizou mais um debate sobre o Future-se. Representantes discentes, docentes e técnicas-administrativas abordaram diversas perspectivas e críticas à proposta do governo federal. Questões específicas também para o campo cultural e artístico na universidade foram trazidas para o debate.
Os primeiros a falar foram os representantes dos estudantes. Rodrigo Leite relacionou o projeto do Future-se e a possibilidade de entrada de empresas na universidade com o atual cenário de censura por que a cultura passa no país. Rodrigo falou de diversos projeto no CLA, como o que leva teatro aos presídios, que podem simplesmente ser extintos num cenário em que empresas e Organizações Sociais (OS) podem interferir no que será produzido. Já Rodrigo Alencastro apontou que o Ministério da Educação (MEC) aprofundou os cortes na educação esse ano para apresentar as OS como possível solução para o problema que ele mesmo criou.
O debate continuou com a professora Elizabeth Lewis, presidenta da Adunirio. A docente relacionou o projeto do MEC com a emenda constitucional do teto de gastos. Afirmou também que o objetivo do Future-se é desresponsabilizar o Estado do financiamento das universidades e abrir a porta para as empresas se apropriarem de forma privada do conhecimento produzido. Elizabeth abordou ainda a perda de democracia, o estímulo à competição entre áreas do conhecimento diferentes e os ataques à carreira docente, que acaba com o “professor-pesquisador” e cria o “professor-empresário”.
A necessidade de construção de um projeto propositivo foi o ponto de partida da fala da técnica-administrativa Vivian Mattos. Segundo ela, a universidade não deve produzir profissionais como mercadorias para o mercado. Vivian lembrou que, mesmo com tantos ataques, as instituições federais ainda são as melhores ranqueadas. Em seguida, Mariana Flores dialogou com a fala de Vivian e atacou dois mitos que vêm sendo explorados pelo governo e pela mídia no debate: o de que se gasta muito com servidores públicos; e o que diz que o trabalho dos servidores públicos é ineficiente. Tais mitos são usados para atacar direitos e precarizar as relações de trabalho.
O professor José da Costa Filho encerrou o debate abordando as políticas que mudaram a cara da universidade, como a política de cotas e as relações que a universidade estabeleceu com o mundo externo. O professor falou ainda sobre o horror que o Future-se representa e que, por isso, há uma necessidade maior de conseguir dialogar com a maior parte da população, onde cada pessoa tem uma demanda urgente para sua vida e que pode se ver seduzida por pontos do projeto.

