Nota de repúdio ao ataque do governo federal aos cursos de filosofia, sociologia e humanidades em geral
A Adunirio-SSind repudia com veemência mais este grave ataque do governo federal a tudo que defendemos para a educação: que ela seja pública, gratuita, de qualidade, socialmente referenciada, inclusiva, plural e com assegurada autonomia universitária, prevista constitucionalmente. Na contramão de tudo isso, mantendo seu antiintelectualismo, anticientificismo, estreiteza tecnocrática, reacionário obscurantismo e cobiça privatizante, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou em sua conta no Twitter, canal utilizado por ele para se comunicar com suas bases eleitorais e anunciar os desmanches a serem promovidos em seu mandato: o mais novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, planeja retirar investimentos federais nas faculdades de filosofia, sociologia e humanidades em geral. Argumenta que “o objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte”, como veterinária, engenharia, enfermagem e medicina.
Na live semanal no Facebook, outro canal escolhido por esse governo, o próprio Weintraub afirmou que quem quiser estudar filosofia deverá “fazer com o seu dinheiro” e não com investimento público, pois seriam “cursos para pessoas muito ricas” e que não teriam “retorno de fato”. Nesse programa pela internet, ele detalhou sua visão estreita do que deve ser a educação, numa abordagem elitista e desinformada, incompatível com o ocupante da pasta do MEC: o governo só respeitará “o dinheiro do pagador de impostos” quando a educação pública se restringir a ensinar a ler, escrever e fazer contas e, em segundo lugar, ensinar um “ofício que gere renda”.
Segundo o ministro, as humanidades não “melhoram a sociedade em volta” das pessoas que estudam essas áreas. Como responsável pelo mais importante cargo da educação no país, ele deveria saber que as diferentes áreas de conhecimento são complementares e, cada uma a seu modo, necessárias para o bom funcionamento da sociedade. As humanidades permitem reflexões que atravessam o superficial e a rotina do dia-a-dia, auxiliam nos planejamentos, na previsão de efeitos colaterais das políticas implementadas, na identificação de questões não óbvias com que se preocupar, no entendimento das complexidades e necessidades humanas. Apenas um governo comprometido com a destruição do espírito crítico – o que já se evidenciava pela “escola com mordaça”, mal chamada de “escola sem partido” – poderia apontar as ciências humanas e sociais como uma área irrelevante e que deva ser esvaziada e relegada ao ensino privado para uma elite econômica interessada.
O ministro recentemente anunciou ainda, em clara perseguição política típica de um regime autoritário, que cortará recursos destinados a escolas onda haja assentamentos de trabalhadores sem-terra, para que as verbas públicas não tenham, nas palavras dele, “viés ideológico”.
O bom gasto dos impostos arrecadados é necessário, mas só ocorre justamente quando a educação pública é valorizada. O governo, entretanto, tem se empenhado em gastá-lo em propaganda, inclusive defendendo a reforma da Previdência e outras destruições de direitos e fazendo apologia à ditadura militar.
A Adunirio-SSind se solidariza a todos os docentes e discentes dos vários cursos de graduação e pós-graduação em ciências humanas e sociais da Unirio e reitera seu compromisso de seguir na luta por nossos direitos e pela educação de que o país precisa.
