Assembleia docente indica fortalecimento de fóruns para garantir eleição democrática para reitoria
Docentes da Unirio reunidos em assembleia no dia 12 de fevereiro (terça-feira) no auditório Paulo Freire (CCH) decidiram indicar à comunidade acadêmica participação e fortalecimento dos fóruns de defesa da democracia e autonomia universitária. A deliberação se deu no contexto dos debates em torno da ameaça de intervenção federal nas eleições para reitor, à luz do que aconteceu em outras instituições como o Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos) e a UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro), em que o governo rejeitou o candidato eleito e nomeou os indivíduos derrotados nas urnas.
Preocupados com a conjuntura de fechamento dos mecanismos de participação democrática, as professoras e professores presentes na assembleia defenderam a necessidade de conformar um grande bloco capaz de dizer “não” às investidas que visam retroceder em conquistas históricas. Dentre estas, foram objeto de destaque a preservação da autonomia universitária, prevista na Constituição, a eleição paritária estabelecida na Unirio há cerca de 20 anos e a condução ao cargo de reitor do primeiro lugar eleito em pleito aberto à toda a comunidade acadêmica.
Nesse sentido, foi indicada a necessidade de integrar, ampliar e fortalecer os espaços democráticos e amplificar mecanismos de articulação dos três segmentos como o Comitê Antifascista da Unirio e transformá-lo em um Fórum Sindical, Popular e da Juventude de luta por direitos e pelas liberdades democráticas.
Além disso, foram discutidas algumas contribuições ao processo democrático e autônomo que a Adunirio, como possível participante da comissão eleitoral, pode apresentar aos Conselhos Superiores reunidos no dia 26 de fevereiro. Para aprofundar este tema, foi indicada a realização de uma nova assembleia no dia 21 de fevereiro (quinta-feira).
A assembleia docente pode ser considerada histórica, pois conseguiu reunir professoras e professores durante o período de férias, o que demonstra ao mesmo tempo uma grande preocupação com a gravidade dos temas abordados bem como a necessidade de mobilização coletiva.
Greve Mundial das Mulheres
Está prevista para o próximo dia 8 de março uma greve mundial em defesa da vida das mulheres, justiça por Marielle Franco, por democracia e direitos, contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro. A greve das mulheres contará com paralisações e realização de atividades em vários lugares do planeta. A assembleia docente da Adunirio decidiu pela participação na paralisação e no ato público que deve ser realizado no centro do Rio de Janeiro.
Nos últimos anos, o movimento feminista tem tido destaque em todo mundo e, em especial, na América Latina, onde se tem visto grandes manifestações públicas e o fortalecimento da sua representação em espaços como no parlamento e na direções de governo. O Dia da Mulher tem sido considerado um marco e o movimento que lhe dá força tem sido conhecido como 8M. No Brasil, o Dia Internacional das Mulheres incluirá manifestações por ocasião do primeiro ano da execução, ainda sem solução, da militante e ex-vereadora Marielle Franco.
Solidariedade a estudantes e professores da Escola de Ciência Política
Diante dos ataques que vem sofrendo o Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP), dos quais o último episódio foi a divulgação de uma denúncia anônima que visava constranger estudantes e professores pelos seus posicionamentos políticos, a assembleia docente decidiu realizar na Unirio uma campanha de solidariedade em defesa dos direitos políticos e da liberdade de expressão.
Além da divulgação de uma nota específica sobre o caso mencionado anteriormente, serão confeccionado cartazes, folders e faixas e será solicitada uma reunião com a reitoria para reivindicar medidas protetivas e garantidoras de direitos, além da realização de debates públicos sobre conjuntura nacional e educação democrática.
