Assembleia docente decide por medidas de combate à crescente onda fascista
Preocupados com os últimos acontecimentos no cenário nacional, marcado pelo avanço de uma candidatura à presidência da República que mobiliza setores fascistas e defensores de um golpe militar, docentes da Unirio reunidos em assembleia no dia 10 de outubro, no auditório Tércio Parcitti, discutiram estratégias para enfrentar a crescente onda fascista que ameaça a manutenção da democracia e das liberdades na universidade e na sociedade em geral.
O tom das intervenções durante a assembleia foi de extrema preocupação com o futuro da universidade e principalmente com a integridade física de estudantes moradores da periferia, negros e LGBTs. A mídia tem noticiado nos últimos dias o incremento dos casos de ataque a pessoas que manifestam suas posições contrárias ao autoritarismo, nos quais a maioria das vítimas são mulheres, transexuais e negros. Dentre esses casos, teve maior destaque o assassinato do mestre de capoeira Moa do Catendê, na Bahia, esfaqueado covardemente depois de manifestar sua preferência pelo candidato Haddad publicamente.
Professoras e professores fizeram relatos emocionados de suas memórias do período em que o Brasil vivia sob uma ditadura empresarial-militar, quando sofreram violências físicas e assédios cotidianos. Houve consenso na percepção de que caminhamos para uma situação de fechamento do regime e de que é necessário se mobilizar para defender as liberdades democráticas contra falsas soluções autoritárias.
A assembleia decidiu por construir um comitê antifascista com os três segmentos (docentes, técnicos e estudantes), realizar uma plenária geral da Unirio e criar uma comissão de mobilização, que já se reuniu na tarde desta quinta-feira (11). A próxima reunião da comissão de mobilização será no dia 15 (segunda-feira), 15h, na sede da Adunirio (av.Pasteur, 458 – CCH/Unirio – Urca).
Além disso, decidiu produzir materiais para dialogar com a comunidade sobre as ameaças que representam aumento do autoritarismo, promover aulas públicas na tenda do CCH, convocar uma reunião extraordinária dos Conselhos Superiores para discutir a conjuntura política e entrar em estado de Assembleia Geral Permanente – as quais podem ser convocadas com 24 horas de antecedência, sendo a próxima no dia 16 de outubro (terça-feira).
A assembleia foi antecedida por um importante debate sobre o histórico da previdência e da carreira dos docentes federais. O assessor jurídico do Andes-SN, Leandro Silva, e o ex-presidente do Andes-SN e professor aposentado pela UFPel Luiz Schuch apresentaram um panorama do tema e tiraram dúvidas dos professores.
