Em defesa da liberdade do pensamento crítico nas universidades públicas
Nos últimos anos, com o acirramento social derivado da crise econômica e do golpe perpetrado por Michel Temer e sua camarilha, as vertentes de pensamento conservadoras, reacionárias e fundamentalistas têm ganho peso crescente na sociedade brasileira, atacando ideológica, jurídica e politicamente – e, no limite, fisicamente – seus opositores nos campos da arte, da cultura e das ciências. Censura, autoritarismo e perseguições são cada vez mais comuns. Precisamos nos insurgir contra esta onda conservadora, capitaneada na área da educação pelo infame movimento Escola sem Partido.
Nas universidades públicas, presenciamos recentemente casos gravíssimos: 1. o professor da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Sorrentino, é alvo de uma sindicância interna por desenvolver atividades acadêmicas com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST); 2. na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar as atividades acadêmicas do Núcleo de Estudos Marxistas, coordenado pelo professor André Mayer, e o professor Marcone Souza, ex-reitor da Ufop, por suposta ligação com tais atividades; 3.O Inep, ligado ao Ministério da Educação, barrou a exposição de um artigo científico que, mesmo tendo sido avalizado tecnicamente pelo comitê editorial, desagradou a direção do instituto por tratar de uma proposta de sistema de avaliação da educação básica que foi revogada pelo governo Temer.
A Diretoria e o Conselho de Representantes da Adunirio repudiam estes (e outros) casos de explícita perseguição político-ideológica e se manifestam em defesa da liberdade do pensamento crítico, dentro e fora da universidade. Somente com o pensamento crítico poderemos lutar e construir uma sociedade sem exploração do trabalho humano e sem opressões de gênero, raça, etnia e diversidade sexual.
