Manifestação leva mais de 150 mil pessoas às ruas de Brasília
A Caravana “Ocupe Brasília”, realizada no dia 24 de maio, levou mais de 150 mil trabalhadoras e trabalhadores à Esplanada dos Ministérios na capital do país. Sob forte repressão do governo ilegítimo, manifestantes protestaram contra as reformas da Previdência e Trabalhista, contra a Lei das Terceirizações e pediram a saída de Michel Temer da presidência da República.
A iniciativa conjunta das centrais sindicais e das frentes populares garantiu que a manifestação superasse todas as anteriores promovidas na última década na capital federal. O ato contou com a presença de trabalhadores, estudantes e militantes de movimentos sociais de todos os estados do Brasil. Manifestantes levaram até duas horas para percorrer todo o trajeto do ato, devido à quantidade de pessoas que participavam.
O Andes-SN esteve junto à sua central sindical, CSP-Conlutas, e demais entidades de Educação. O sindicato nacional dos professores das universidades públicas defendeu também a construção de uma nova Greve Geral, dessa vez de 48h, como tática para barrar as contrarreformas e derrubar Michel Temer da presidência.
A caravana nacional, apesar do sucesso, sofreu forte repressão da polícia, chegando ao cúmulo de o presidente ilegítimo mobilizar as Forças Armadas, embora estas não tenham entrado diretamente no conflito. Segundo a professora Elizabeth S. Lewis, diretora da Adunirio presente no protesto, “assim que chegamos na Esplanada, no começo da tarde, começaram a jogar bombas”. Conforme seu relato, houve vários momentos de recuo e avanço da manifestação devido às bombas e o comando dos policiais quebrou os acordos que haviam sido estabelecidos com o sindicato para garantir a segurança da manifestação.
Para a professora Andrea Thees, diretora da Adunirio, a “marcha à Brasília foi vitoriosa, e a repressão mostrou que o presidente está com medo, está acuado”. Segundo ela, as pessoas demonstraram muita coragem e seguiram com o protesto por muito tempo apesar da intensidade da repressão. E acrescenta: “foi um dos atos mais bonitos que eu já vi, desde a manifestações pelas Diretas Já nos anos 1980”.
Eblin Farage, presidente do Andes-SN, avaliou positivamente a manifestação, esperando que o Ocupe Brasília seja um estímulo para manter os trabalhadores brasileiros na rua até a derrota dos projetos de ajuste fiscal e a queda de Michel Temer do poder. “Foi uma vitória a construção unitária entre as centrais sindicais, assim como a Greve Geral de 28 de abril. É mais uma prova de que quando queremos fazer coisas de forma unitária, temos ótimos resultados. Esse deve ser o caminho para derrubarmos o Temer, barrar as contrarreformas e reverter os projetos que já foram aprovados e retiraram direitos dos trabalhadores”, afirmou a docente.
