Conselheiros criticam PDI 2017-2021 da Unirio por falta de bases sólidas
A proposta de Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2017-2021, apesar de aprovada, recebeu importantes críticas dos membros dos Conselhos Superiores (Consepe e Consuni) reunidos no dia 9 de maio. Dentre os principais questionamentos, foram apontados a falta de análise da conjuntura nacional, destacando, especialmente, os cortes nos orçamentos universitários, o descolamento do PDI falta com a realidade da Unirio e a ausência de interpretação das informações (dados estatísticos, tabelas e questões) disponíveis.
O PDI é um documento de política institucional que não coincide com a vigência das sucessivas gestões da universidade. De acordo com o plano anterior, válido para o período de 2012-2016 e reconhecido por outras instituições como “modelo”, trata-se de “um compromisso, uma direção e uma plataforma dinâmica na qual se reúnem propósitos, planos de ação e princípios a serem sempre revistos e reelaborados, com a segurança de quem tem pontos de vista e pontos de partida sólidos”. Justamente esta solidez foi questionada na atual proposta por membros dos Conselhos.
A maior parte das intervenções pode ser sintetizada na primeira fala após a apresentação do documento, quando uma professora destacou que o plano “mostra uma coisa muito bonita, uma perspectiva da universidade espetacular, mas os pontos frágeis não são apresentados de uma forma real”. Segundo a conselheira docente, seria necessário ter informações sobre fenômenos fundamentais, como, por exemplo, a evasão de estudantes.
Para o presidente da Adunirio, Rodrigo Castelo, presente na sessão, a atual proposta de PDI carece de uma análise de conjuntura para balizar seus objetivos, dando conta de que estamos vivendo um golpe institucional e o aprofundamento de uma política fiscal de cortes que afeta principalmente as políticas sociais. Diante disso, o docente questiona como é possível o documento estabelecer uma meta de aumento no número de professores, por exemplo, sem apresentar as condições político-econômicas sobre as quais se define tal objetivo.
Castelo destacou alguns itens, como no caso do perfil do corpo docente, em que faltam informações fundamentais para o diagnóstico e no qual os dados apresentados não são analisados. “A gente não sabe quem são os docentes da Unirio por meio desse documento”, afirma, avaliando que a gravidade é ainda maior no que diz respeito aos técnicos e discentes.
Além disso, foi destacado que o debate da Comissão de Carreira, que avançou na regulamentação interna da carreira docente, não foi incorporado na proposta de PDI.
O professor Rodrigo Vilani, secretário-geral da Adunirio, destacou principalmente a falta de informações sobre as condições da infraestrutura da Unirio. Propôs dois encaminhamentos sobre o tema: a descentralização do orçamento da universidade e a priorização da reforma do Casarão do CCJP, haja vista ser um espaço já existente que não recebeu a devida manutenção.
Tais propostas de inclusão no PDI 2017-2021 não foram, porém, encaminhadas ao fim da sessão, embora o reitor Jutuca tenha afirmado que já está agendada uma reunião com o secretário de Educação para tratar do risco de desabamento do Casarão do CCJP. “Quando chove muito nesse Rio de Janeiro eu fico muitíssimo preocupado com aquele Casarão”, declarou.
A professora Teresa Serrano questionou o motivo que levou ao abandono do modelo anterior de PDI da Unirio, haja vista que este teria sido reconhecido como exemplar para outras instituições. Nesse sentido, o professor Villani propôs que se voltasse a apresentar no plano informações sobre titulação, classe, centro e regime de trabalho do docente, acrescentando também informações socioeconômicas dos membros da comunidade acadêmica.
