Servidores Federais exigem solução para corte do governo na arrecadação de sindicatos
Servidores Públicos Federais conquistaram uma reunião com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog) na quinta-feira (27), após realizar uma grande manifestação que fechou as suas entradas. Além da pauta de reivindicações, os SPFs exigiram também uma solução para a suspensão imposta pelo governo à consignação de diversos sindicatos, que resultou no não recolhimento das mensalidades de diversos sindicalizados e está tendo sério impacto na arrecadação das entidades.
No dia 14 de agosto, foi publicado no Diário Oficial da União um edital da Secretaria de Gestão do MPOG, descredenciando entidades consignatárias do Andes-SN, da Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras) e do Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica).
Do Andes-SN, foram diretamente atingidas 15 associações. A Adunirio, após enfrentar uma grande dificuldade com a burocracia, conseguiu realizar devidamente o seu cadastro.
A associação dos técnico-administrativos da Unirio (Asunirio) foi uma das 10 associações da Fasubra que sofreram o corte na arrecadação. Bruno Cruz, coordenador-geral da Asunirio, avalia a medida como uma “clara intervenção dentro dos sindicatos, principalmente dos sindicatos que estão em greve agora”. Segundo ele, “são esses sindicatos que estão sendo cortados para ser desmobilizados, tirando suas ferramentas de atuação”. Sem o recolhimento das contribuições, as entidades classistas se encontram em dificuldade para arcar com os compromissos, como o pagamento de seus funcionários.
De acordo com Marcos Neves, professor de física do Instituto Federal de Santa Catarina e membro do Comando Nacional de Greve do Sinasefe, “uma ação como essa da parte do governo, no meio de uma paralisação, é muito estranha, pois poderia ter sido comunicada e resolvida fora do momento do conflito”. O professor informa que não houve comunicado prévio e que os sindicatos souberam do corte pelo Diário Oficial.
O governo alega pendências administrativas, mas os grevistas veem na medida uma ação política. Segundo Neves, os servidores teriam sido informados pelo MPOG que a folha está fechada e a pendência só seria resolvida na próxima folha, postergando para outubro a solução do problema.
